OBRAS COMPLETAS DE

FLORBELA ESPANCA


RUI GUEDES (org.)


Conjunto constituído pelos VI volumes das Obras Completas (Poesia, Contos, Diário e Cartas), e os dois volumes extra-numeração, sobre a poetisa, que completam a colecção, do mesmo autor/organizador e igual grafismo: a Fotobiografia e um ensaio de Biografia.

POESIA 1903-1917
Recolha, leitura e notas por Rui Guedes. Prefácio de José Carlos Seabra Pereira. Nota filológica de Luiz Fagundes Duarte. Texto actualizado por Maria Teresa Moya Praça. Com alguns facsimiles de manuscritos da autora. Volume I das Obras Completas de Florbela Espanca. 280 páginas. 15 x 22,5 cm. Assinado por Rui Guedes com dedicatória. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1985.

POESIA 1918-1930
Recolha, leitura e notas por Rui Guedes. Prefácio de José Carlos Seabra Pereira. Texto actualizado por Maria Teresa Moya Praça. Com alguns facsimiles de manuscritos da autora. Volume II das Obras Completas de Florbela Espanca. xliii+304páginas. 15 x 22,5 cm. Assinado por Rui Guedes no anterosto. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1985.

CONTOS
Recolha, leitura e notas por Rui Guedes. Prefácio de José Carlos Seabra Pereira. Actualização e revisão do texto por Maria Teresa Moya Praça. Com facsimiles de manuscritos da autora. Volume III das Obras Completas de Florbela Espanca. xxxv+167 páginas. 15 x 22,5 cm. Assinado por Rui Guedes no anterosto. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1985.

CONTOS E DIÁRIO
Recolha, leitura e notas por Rui Guedes. Actualização e revisão do texto por Maria Teresa Moya Praça. Com facsimiles de manuscritos da autora, e uma fotografia do irmão-aviador. Volume IV das Obras Completas de Florbela Espanca. 157 páginas. 15 x 22,5 cm. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1986.

CARTAS 1906-1922
Recolha, leitura e notas por Rui Guedes. Actualização e regularização do texto por Luiz Fagundes Duarte. Com alguns facsimiles de cartas, bilhetes e postais manuscritos. Volume V das Obras Completas de Florbela Espanca. 274+(1) páginas. 15 x 22,5 cm. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1986.

CARTAS 1923-1930
Recolha, leitura e notas por Rui Guedes. Com alguns facsimiles de cartas, bilhetes e postais manuscritos. Volume VI das Obras Completas de Florbela Espanca. 259+(2) páginas. 15 x 22,5 cm. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1986.

FOTOBIOGRAFIA, por RUI GUEDES.
Tiragem numerada, verificada pela SPA, de 5000 exemplares, dos quais 3500 para o mercado português e 1500 para o mercado brasileiro (edição em parceria com a Livraria Paisagem, do Rio de Janeiro). Exemplar n.º 18. Álbum em cartonagem editorial com sobrecapa, óptimo estado de conservação. 264 páginas. Único volume fora do formato do resto da colecção: 22 x 30,3 cm. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1985.

ACERCA DE FLORBELA, por RUI GUEDES.
Biografia. Bibliografia. Apêndices. Discografia. Índice Remissivo Geral. Volume que encerra a colecção. 237 páginas. 15 x 22,5 cm. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1986.

Colecção completa, em primeira edição. Três volumes assinados por Rui Guedes, um deles com dedicatória. Todos os volumes há muito esgotados no editor. Todos em bom estado.

Conjunto invulgar.

Preço: 170 euros.



CAMILLO

MULHERES E LÁGRIMAS

(LIVRO DO AMOR E DO CORAÇÃO)

NUNO CATHARINO CARDOSO


Contendo cento e noventa e três pensamentos respigados na obra do Grande Romancista.

Colecção (encalorada) de citações camilianas, sem lugar para a menção das diversas proveniências, e com prefácio datado de 22/2/1922. Exemplar do 1.º milhar. xvi+55 páginas. 12,5 x 19 cm. Brochado. Bom estado. Lisboa: Portugália Editora, 1922.

Preço: 22 euros.


O ALFARRABISTA MANUEL DOS SANTOS, por João Paulo Freire (Mário):

Aquêle Manuel dos Santos que acompanhámos ao cemitério, merece bem duas palavras de necrologia. Êle foi o mais completo expoente do que é e do que pode ser uma vocação, porque, de ofício bem diferente, como seu irmão José, ambos se lançaram à vida de livreiros-alfarrabistas, ali em baixo ao fundo dos Paulistas, na mesma acanhada baiúca onde hoje pontifica José dos Santos.

Ali começou para os dois o comércio do livro raro e do livro usado. Do livro que já se não quere e do livro que ansiosamente se procura. Um dia o Manuel separou-se do irmão e veio para a esquina da Bica, já livreiro lançado, e uma que outra vez livreiro-editor, em assuntos camilianos. Foi o Manuel dos Santos que me editou, em 1917, A Campanha da Lápide, como cinco anos depois editava, a Alberto Pimentel, O Torturado de Seide.

Como livreiro, Manuel dos Santos foi dos mais arrojados do seu tempo. Pode afirmar-se que fêz o que se chama uma revolução no mercado do livro antigo. E sem ter fundos conhecimentos, quási sem base própria, era tal a sua vocação e a sua fôrça de vontade, que muitas vezes supria pela audácia inteligente a sua impreparação.

Deixa uma vasta obra de catalogação bibliográfica, obra importante, de admirável documentação, por cujas páginas passa o que temos de melhor na bibliografia portuguesa.

Como livreiro camilista, Manuel dos Santos, não só criou, a seis anos do centenário, o gôsto e a procura pelas raridades de Camilo, como, tornando-se o seu comentador bibliográfico, nos deixou a melhor, a mais completa e a mais interessante de tôdas as documentações que no género têmos sobre Camilo. São dois volumes e um tômo, já hoje raros, estimados e valorizados no mercado livreiro.

Na sua pequena loja, hoje muito desfalcada, havia, ainda não há muito, verdadeiras preciosidades que êle vendeu, principalmente para a Inglaterra e para o Brasil, e, pode afirmar-se que, tirando seu irmão José, tinha, como livreiro, a mais preciosa de tôdas as camilianas que eu conheço.

Activo, enérgico, trabalhador, morre na fôrça da vida, um rapaz ainda, quando precisamente os seus conhecimentos adquiridos o começavam a impôr como um valor na difícil e complicada ciência de conhecer os livros.

De bem conhecer, de bem os comprar, e de melhor os vender…

Tinha admiráveis qualidades como cidadão, e era, no meio livresco lisboeta, uma figura interessante que se impunha, pela sua lealdade, pela sua bondade, e para nós jornalistas pela amizade que a quási todos dispensava, amizade cheia de franqueza, amizade de quem percebia, por um fino espírito de subconsciência, que, jornalistas e livreiros, são duas classes afins.

Pobre Manuel dos Santos!

Ainda há meia dúzia de dias êle me dizia, brincalhão e alegre, referindo-se ao seu leilão marcado para ontem:

– Vê lá, não faltes. Olha que tens lá pechinchas!

Não faltes… Sim. Eu não faltei. Êle coitado é que não presidiu à venda dessas pechinchas.

Veio a morte [8 de Janeiro de 1922] antes de tempo e fechou-se a última folha dêste safado livro da vida que todos nós vamos agora lendo, parece que em 2.ª mão…

Que descanse em paz, o pobre Manuel dos Santos.

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«O Alfarrabista Manuel dos Santos» in João Paulo Freire (Mário), TÔRRE DO TOMBO… Crónicas Dispersas, Lisboa: Edição do Autor, 1937.