ARTE DE FAZER FLORES


ROSÁLIA VALDÉS


Tradução de Alcântara Severo do manual ilustrado de Rosália Valdés, ou Valdez, professora de arte aplicada no Instituto Feminino de Olivença. Com moldes e desenhos. 32 páginas. 13,5 x 19 cm. Bem conservado. Colecção Indústrias Caseiras, da Empresa Literária Fluminense, Lisboa, 1937.

Preço: 10 euros.


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A CALÇADA DA AJUDA


MÁRIO DE SAMPAYO RIBEIRO

do Grupo «Amigos de Lisboa»

Conferência realizada na séde da Junta de Frèguesia da Ajuda, na noite de 10 de Outubro de 1937 e repetida, depois, a pedido, na sala de espectáculo do Belém-Clube (Teatro Luiz de Camões).

Raro e procurado. Recheado de pequenas histórias do bairro, da época e de outras épocas, mescladas no urbanismo e história da zona, com muito tacto.  Não ilustrado. Com 85 páginas. 17,5 x 23 cm. Bom estado.
Lisboa: edição do autor, 1940.

Preço: 18 euros.



DO SÍTIO DE NOSSA SENHORA
AO ACTUAL LARGO DA AJUDA


MÁRIO DE SAMPAYO RIBEIRO


Conferência ao ar livre efectuada, por iniciativa do Pelouro Cultural da Câmara Municipal de Lisboa, no Largo da Ajuda, na tarde de 10 de Novembro de 1935.

Ilustrado. E contado com olisipofilia! Opúsculo de 23 páginas, e 18,5 x 24 cm. Em bom estado. Publicações dos Anais das Bibliotecas, Museus e Arquivos Históricos Municipais, n.º X, Lisboa, 1936.

Invulgar.

Preço: 17 euros.



A URBANIZAÇÃO DE LISBOA


Representação entregue à excelentíssima Câmara Municipal pelo

GRUPO AMIGOS DE LISBOA


«Como é do conhecimento de todos, Lisboa não possue um plano geral de melhoramentos, a-pesar-de três quartas partes da sua área estarem ainda por urbanizar». Deste modo, o Grupo Amigos de Lisboa «tem a honra de apresentar (…) um estudo elaborado pela sua Secção de Estudos de Estética e de Urbanização».

Com 16 páginas, e muitas propostas. 17,8 x 24 cm. Bom estado.
Lisboa: Grupo Amigos de Lisboa, 1938.

Preço: 10 euros.


O ALFARRABISTA MANUEL DOS SANTOS, por João Paulo Freire (Mário):

Aquêle Manuel dos Santos que acompanhámos ao cemitério, merece bem duas palavras de necrologia. Êle foi o mais completo expoente do que é e do que pode ser uma vocação, porque, de ofício bem diferente, como seu irmão José, ambos se lançaram à vida de livreiros-alfarrabistas, ali em baixo ao fundo dos Paulistas, na mesma acanhada baiúca onde hoje pontifica José dos Santos.

Ali começou para os dois o comércio do livro raro e do livro usado. Do livro que já se não quere e do livro que ansiosamente se procura. Um dia o Manuel separou-se do irmão e veio para a esquina da Bica, já livreiro lançado, e uma que outra vez livreiro-editor, em assuntos camilianos. Foi o Manuel dos Santos que me editou, em 1917, A Campanha da Lápide, como cinco anos depois editava, a Alberto Pimentel, O Torturado de Seide.

Como livreiro, Manuel dos Santos foi dos mais arrojados do seu tempo. Pode afirmar-se que fêz o que se chama uma revolução no mercado do livro antigo. E sem ter fundos conhecimentos, quási sem base própria, era tal a sua vocação e a sua fôrça de vontade, que muitas vezes supria pela audácia inteligente a sua impreparação.

Deixa uma vasta obra de catalogação bibliográfica, obra importante, de admirável documentação, por cujas páginas passa o que temos de melhor na bibliografia portuguesa.

Como livreiro camilista, Manuel dos Santos, não só criou, a seis anos do centenário, o gôsto e a procura pelas raridades de Camilo, como, tornando-se o seu comentador bibliográfico, nos deixou a melhor, a mais completa e a mais interessante de tôdas as documentações que no género têmos sobre Camilo. São dois volumes e um tômo, já hoje raros, estimados e valorizados no mercado livreiro.

Na sua pequena loja, hoje muito desfalcada, havia, ainda não há muito, verdadeiras preciosidades que êle vendeu, principalmente para a Inglaterra e para o Brasil, e, pode afirmar-se que, tirando seu irmão José, tinha, como livreiro, a mais preciosa de tôdas as camilianas que eu conheço.

Activo, enérgico, trabalhador, morre na fôrça da vida, um rapaz ainda, quando precisamente os seus conhecimentos adquiridos o começavam a impôr como um valor na difícil e complicada ciência de conhecer os livros.

De bem conhecer, de bem os comprar, e de melhor os vender…

Tinha admiráveis qualidades como cidadão, e era, no meio livresco lisboeta, uma figura interessante que se impunha, pela sua lealdade, pela sua bondade, e para nós jornalistas pela amizade que a quási todos dispensava, amizade cheia de franqueza, amizade de quem percebia, por um fino espírito de subconsciência, que, jornalistas e livreiros, são duas classes afins.

Pobre Manuel dos Santos!

Ainda há meia dúzia de dias êle me dizia, brincalhão e alegre, referindo-se ao seu leilão marcado para ontem:

– Vê lá, não faltes. Olha que tens lá pechinchas!

Não faltes… Sim. Eu não faltei. Êle coitado é que não presidiu à venda dessas pechinchas.

Veio a morte [8 de Janeiro de 1922] antes de tempo e fechou-se a última folha dêste safado livro da vida que todos nós vamos agora lendo, parece que em 2.ª mão…

Que descanse em paz, o pobre Manuel dos Santos.

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«O Alfarrabista Manuel dos Santos» in João Paulo Freire (Mário), TÔRRE DO TOMBO… Crónicas Dispersas, Lisboa: Edição do Autor, 1937.