Dinis MACHADO

[27Nov20]


DISCURSO DE ALFREDO MARCENEIRO
A GABRIEL GARCIA MARQUEZ


DINIS MACHADO


Autografado pelo autor com dedicatória datada. Ilustrações de Fátima Vaz. Conto. Primeira edição. 30 páginas. 21 x 14 cm. Bom exemplar. Lisboa: Livraria Bertrand, 1984.

Preço: 35 euros.



O QUE DIZ MOLERO


DINIS MACHADO


Primeira edição. Capa de Saldanha Coutinho. 182 páginas. 19 x 12 cm. Manuseado e com assinatura de posse de antigo jornalista desportivo no canto interior de rosto e ante-rosto. Lisboa: Livraria Bertrand, (Março de) 1977.

Preço: 15 euros.


«Temos a seita dos calmeirões, os Vai ou Racha», disse Austin, «que já tinham sido os Malhoas e os Roquetes, e que mais tarde seriam os Sertórios. O rapaz via-os, rua acima, rua abaixo, gingando o corpo, fazendo gestos vagamente obscenos para a janela das costureirinhas, combinando petiscadas, provocando quem passava, uma discussão, uns tabefes, umas sandes de presunto, uns copos de vinho tinto, a ronda nocturna pelas casas de prostitutas, as últimas anedotas contadas sob a lua alta e as estrelas, o jogo das moedas à luz esverdeada do candeeiro de gás, fantasmas movendo-se, os últimos de cada dia, na tranquilidade do bairro adormecido. Molero enumera-os: o Pé de Cabra, que era o chefe e que fazia contrabando de tudo, desde relógios suíços a cigarros Camel e Lucky Strike, que tinha como passatempo favorito dar carolos, pancadas com os nós dos dedos nas cabeças deste e daquele, principalmente dos mais miúdos, para enrijar a moleirinha, dizia ele; o Gil Penteadinho, que vivia de mulheres, jogava à pancada com a mãe todos os dias por causa disso e andava sempre a atirar uma moeda ao ar como, depreende Molero, George Raft no Scarface; o Bexigas Doidas, que não era bexigoso, como se poderá supor, tinha uma doença de pele e coçava-se muito, às vezes os outros coçavam-lhe as costas porque ele não chegava lá; o Lucas Pireza, que ganhava todos os concursos de tango nas sociedade de recreio, tinha o pai na Mitra e dava cem toques na bola com o pé esquerdo sem a deixar cair; o Metro e Meio, que nem Metro e Meio parecia ter, crescia para os lados, não para cima; o Tonecas Arenas, que usava sombrero, falava de touradas que nunca tinha visto, nunca viu nenhuma, vendia imagens religiosas à porta das igrejas, e também fotografias pornográficas para eventuais turistas depravados, tudo isto à Comissão, o fabricante era o mesmo; o Peito Rente, que tinha uma expressão muito dele quando achava bem qualquer coisa, dizia isso é rachmaninófico, é rachmaninófico, e que golfava sangue quando chegava o Outono. [excerto das páginas 33-34]

 


LIVRO NEGRO

INSTRUÇÕES SECRETAS PARA A SUBVERSÃO DA SOCIEDADE MODERNA


TITO KOWALSKI


[Pseudónimo não identificado de autor português.] Começando por justificar uma afirmação de Álvaro Cunhal, após encontro com Georges Marchais, de que «o eurocomunismo não se aplica em Portugal», o texto parte para a análise de alguns comunismos europeus (Itália, França, …), antes de uma digressão pela história recente de algumas insurreições armadas, e a sua sustentação teórica em diversos autores, de uma forma não muito clara (vide índice ↑). As instruções são, principalmente, tópicos.

Capa de V.M. 73+(7) páginas. 20,8 x 14,7 cm. Selo e etiqueta destacável, na guarda, da agência de jornais Jornália, nas Caldas da Rainha. Capa com marcas de manuseio, miolo limpo: bom exemplar. Impresso na Tipave, em Aveiro. Queluz: Literal, 1977.

Preço: 17 euros.


 


HEPTAMERON


MARGARIDA DE NAVARRA


Obra completa em 2 volumes. Maquete de Manuel Correia. Tradução de Gabriela Ramirez Garcia (vol.1) e Álvaro Pereira (vol.2) e 28 ilustrações extra-texto de Henrique Manuel. Encadernação editorial sintética, em bom estado. Miolo limpo. 284+260+(56) páginas. 24 x 17 (x 5) cm. Com um marcador das colecções Serpente e Mocho [tamanho pequeno 14,9 x 4,8 cm]. Estimados. Lisboa: Estúdios Cor, 1977.

Preço: 45 euros.


 


LIVROS I.º e II.º


FERNANDO GUERREIRO


Deste livro foram impressos, em off-set, sobre chapa de cartão, 250 exemplares, que custaram ao autor, graças à colaboração de alguns amigos gráficos (sem os quais esta edição não teria sido sequer possível), a módica quantia de 15 mil escudos. Com a venda dos volumes (que não tenham sido, entretanto, distribuídos pelos amigos), ao preço unitário (!) de cem escudos, o responsável pelos textos espera recuperar o dinheiro inicialmente investido, de modo a, ainda este ano, possivelmente no (fim do) Outono, pelo mesmo processo, mas em melhores condições técnicas, fazer sair (como toupeiras matreiras) das tocas em que se encontram, respectivamente os LIVROS III.º e IV.º (com textos de 1976/77). Para que conste. No ano de MCMLXXVII.

Primeiro livro do poeta, ensaísta, tradutor e professor universitário Fernando Guerreiro (n. 1950). Com 266-(1) páginas (soltas), não colado nem agrafado, e 22,5 x 17 cm. Lisboa: edição do autor, 1977.

Exemplar que concorreu ao Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes, em Novembro de 1977 [que premiou Sophia de Mello Breyner Andresen com O Nome das Coisas], e ficou na posse de um dos júris, donde a nota a lápis na capa: «menção honrosa».

Invulgar.

Preço: 45 euros.