Ilse Losa

[28Maio16]


HISTÓRIAS INESQUECÍVEIS PARA CRIANÇAS


Selecção de

ILSE LOSA


Capa de A. Pedro e ilustrações de Manuela Bacelar. Contos dos Irmãos Grimm (tradução de Maria Cristina de Araújo), Wilhelm Hauff (tradução de Teresa Balté), George Sand (tradução de Virgínia de Castro e Almeida, revista por Ângela Lieblich), John Ruskin (tradução de Luísa Derouet), Mark Twain e Oscar Wilde (traduções de Margarida Losa), Leão Tolstoi, Hans Christian Andersen, Pawel Bashow e Selma Lagerlöf (traduções de Ilse Losa). 227 páginas. 14,5 x 21 cm. Capa com ténues manchas amarelas, miolo impecável. Lisboa: Livros do Brasil, [s.d.].

Preço: 12 euros.



O MUNDO EM QUE VIVI


ILSE LOSA


Numa escrita inexcedivelmente sóbria e transparente, e através de breves episódios, este romance conduz-nos em crescendo de emoção desde a primeira infância rural de uma judia na Alemanha, pelos finais da Primeira Guerra Mundial, até ao avolumar de crises (inflação, desemprego, assassínio de Rathenau, aumento de influência e vitória dos Nazistas) que por fim a obrigam ao exílio mesmo na eminência de um destino trágico num campo de concentração. Há uma felicíssima imagem simbólica de tudo, que é a do lento avançar de uma trovoada que acaba por estar «mesmo em cima de nós». Assistimos aos rituais judaicos públicos e domésticos, a uma clara atracção alternativa entre a imigração para os Estados Unidos da América e o sionismo. Fica-se simultaneamente surpreendido pela correspondência e pelas diferenças entre o adolescer e o viver adulto em meios culturais muito diversos, pois há relances de vida religiosa luterana, católica e de agnosticismo à margem da experiência judaica ortodoxa. Perpassam figuras familiares de recorte nítido: os avós da aldeia, o pai, negociante de cavalos, desfeiteado por anti-semitas e falecido de cancro, os tios progressistas Franz e Maria, o avô Markus, a amorável avozinha Ester (kleine Oma), Paul (o jovem quase namorado que se deixa intimidar pelo ambiente), Kurt (o jovem enamorado assolapado, culto e firme nas suas convicções). A acção é desfiada numa sucessão de fases biográficas progressivamente dramáticas — e nós acabamos por participar afectivamente de um destino ao mesmo tempo muito singular e muito típico, que bem nos poderia ter cabido. Um romance de características únicas na literatura portuguesa — e emocionalmente certeiro. [Texto da contracapa, datado de Novembro de 1989, da autoria de Óscar Lopes, a quem o livro é dedicado].

15ª edição do primeiro livro da autora. Capa de Ângela Melo. 196 páginas. 14,5 x 21 cm. Porto: Edições Afrontamento, 1992.

Preço: 10 euros.



DOIS POEMAS EMBALADOS
SOBRE A DÚVIDA DE ABALAR


EMANUEL JORGE BOTELHO


Exemplar n.º 74 de uma rara tiragem de 100, numerados e assinados pelo autor. Com uma reprodução dum pormenor do quadro de Domingos Rebelo «Os Emigrantes». Edição conjunta do Museu Carlos Machado e do autor, Ponta Delgada, Maio de 1979. Constituída por um envelope [19,5 x 28,5 cm] numerado, contendo uma capa [16 x 24,5 cm] que alberga 3 folhas volantes em cartolina, impressas apenas de um lado, duas com poemas do livro inédito No Delta da Memória, e uma com o tal pormenor de «Os Emigrantes». Completa o conjunto uma folha solta, que não faz parte da edição, com uma dedicatória autógrafa de Emanuel Jorge Botelho, datada de 1983. Envelope com pequenos defeitos, interior impecável.

Preço: 50 euros.



FALA DO HOMEM LÉSBICO


MANUEL GRANGEIO CRESPO


Edição da Contraponto, de LUIZ PACHECO, em parceria com a Supervisão (1983). Capa e ilustrações de Rogal. Prefácio de Adelino Dias Cardoso.
16 páginas não numeradas. 14,5 x 20,5 cm. Perfeito estado de conservação.

Preço: 15 euros.


MARIA TERESA HORTA

[17Jan15]


EMA


MARIA TERESA HORTA


Ema é a viagem de uma mulher. só. na contemplação erótica. é a convulsão do amor. é a resposta. a violência. a dificuldade. o espelho. a explosão feminina-feminista. é a nudez verdade de Ema.

Ficção. Exemplar autografado pela autora com dedicatória de amizade. Capa de Teresa Dias Coelho. Fotografia da autora na contracapa de Isabel Ferreira. Colecção Aleph. 131 páginas. 14 x 20 cm. Lisboa: Edições Rolim, [Novembro de] 1984.

Preço: 25 euros.



MULHERES DE ABRIL


MARIA TERESA HORTA


Poemas [de Abril a Novembro de 1977]. Inclui «Homenagem às mulheres-a-dias». Capa e arranjo gráfico de José Araújo. 110 páginas. 13 x 18,5 cm. Lisboa: Editorial Caminho, 1977. Bom exemplar.

Preço: 15 euros.



ABORTO

DIREITO AO NOSSO CORPO


Inquérito realizado por

CÉLIA METRASS
HELENA DE SÁ MEDEIROS
MARIA TERESA HORTA


Com casos de condenação, depoimentos de parteiras e mulheres que abortaram, tomadas de posição de políticos, médicos e advogados, legislação, etc. Ilustrado. 361 páginas. 12,5 x 18,5 cm. Termina com um poema de Maria Teresa Horta («Do Direito ao Nosso Corpo»), datado de Fevereiro de 1975. Colecção Mulheres em Luta. Lisboa: Editorial Futura, 1975.

Preço: 12 euros.


Rui Nunes

[27Nov12]


ROSTOS


RUI NUNES


Primeira edição. Capa de Fernando Mateus sobre fragmento de pintura de Magritte (versão de 1954 de O Império das Luzes). 118 páginas. 13,5 x 20,5 cm. Lisboa: Relógio d’Agua, 2001.

Preço:  5 euros.



O MENSAGEIRO DIFERIDO


RUI NUNES


Primeira edição (reeditado na Relógio d’Água em 2005). Capa de Teresa Ferrand. 119 páginas. 12 x 18,5 cm. Incluso por anterior proprietário, um recorte de jornal com uma entrevista dada pelo autor a Elisabete França, publicada no Diário de Notícias de 31 de Agosto de 1999. Bom exemplar. Lisboa: A Regra do Jogo, 1981.

Ler crítica de Álvaro Salema na revista Colóquio/Letras n.º 68, de Julho de 1982, aqui.

Preço: 15 euros.


Visitar o alfarrabista é acto de regras muito próprias. Jogo – faz-se entre adversários que se espiam e constroem lanços a partir de uma observação atenta de faces, sorrisos, olhares, de um gesto mais ou menos nervoso das mãos – moldado entre cautelas que a prática e só ela enuncia para adaptar ao risco de cada situação. E o alfarrabista, manejador das pretas, vemo-lo com características que se intercalam entre dois pólos – um deles aceitando toda a tralha como ouro, e marcando-a a preço de ouro, e outro senhor de duas ou três antigas ideias-feitas que deixam o caudal escorrer, indefeso, por inocências de uma vasta incultura literária e bibliográfica.

O visitante do alfarrabista especializa-se. Roda-se por farrapos de papel e bafios, acha-se capaz de saber estender a mão no momento certo ao livro certo e, com um olhar treinado em lincismos (palavra do próprio Celine, adiante), descobrir o tesouro oculto por um montão de destroços. O visitante roda-se e pode actuar sem correr do risco ao acidente. Começa a ter justa percepção de que este Yves Navarre, vendido ao desbarato, continuará a sê-lo mesmo que a sua dedicatória autógrafa (intimíssima – como é que é possível?…) lhe inspire um gesto menos controlado no momento da captura; mas aquele Tagore autografado (as voltas que o mundo dá!) por um conhecido realizador italiano de férias em Biarritz, pode implicar um grau de risco-em-escudos que aconselha calma e uma afectação bem mimada de grande desprendimento.

Há, no entanto, a situação superlativa do cheque-mate ao alfarrabista, rara nesta ronda de fanáticos mas a exigir, se aparece, o domínio mais sábio de todos os músculos faciais. Imagine-se, por exemplo, aquele lote de «franceses» vendidos ao quilo por uma viúva apressada, com preços que rodopiam em redor de um fulcro baixo de 50 escudos, e que lá no meio esconde, humilhado entre doudês, zolás e rolas, um mítico, um «impossível» Bagatelles pour un Massacre de Louis-Ferdinand Céline.

O visitante rodado começa por um instante de dúvida; passa a outro, imaginativo – quem sabe lá se a capa está «errada» e, pela espessura, embrulha mas é O Circo de Leão Penedo, ou a Ana Paula de um tal Paço d’Arcos – e só depois cai todo em si e vê que sim, que aquelas 400 páginas são, pura e simplesmente, «as tais», as que são capazes, num qualquer leilão de livros, em Paris, de pôr à mostra não sei quantas notas das maiores notas que lá se ganham e gastam. Para um cheque-mate eficaz há que pedir grande domínio a todo o corpo, exigir da voz a entoação plausível dos momentos neutros e empregá-la numa frase inventada ali, entre parâmetros da maior banalidade:

– Olhe, com o Namora vou levar mais este…

Depois, no eléctrico – como nunca chamado Prazeres – começa a ouvir-se o que gritam, irritadas, as Bagatelles. E embora no Poço dos Negros ainda não se tenha encontrado nada capaz de justificar uma maldição inapagável de 50 anos, passando em S. Bento já os insultos sobem de tom, e em Campo de Ourique segue de rastos todo um cortejo de judeus…


[Primeira parte da introdução de Aníbal Fernandes ao livro de Céline que traduziu para a Hiena, Vão Navios Cheios de Fantasmas…, Lisboa, 1986]


Ver catálogo da Hiena.