CONSIDERAÇÕES PESSOAIS

ENSAIOS

ADOLFO CASAIS MONTEIRO


Primeiro livro de ensaios do autor (1908 – 1972), co-director da Presença a partir de 1931 e até ao último número publicado, em 1940 (José Régio e João Gaspar Simões partilhavam com Casais Monteiro a direcção da revista). O ensaio de abertura, «A Arte contra a Ordem», começa da seguinte forma:

Adormecendo com sempre renovado sono após a descoberta duma nova direcção; após cada revolução caindo na escolástica do que ela trouxe de novo, tendemos a esquecer que toda a obra de génio que repousa nas nossas estantes, ou na parede severa dos museus, com a segurança dum incontestável classicismo, foi um dia motivo de escândalo, objecto de sarcasmo e riso, quando não duma completa indiferença.

Com ensaios sobre cinema, crítica literária, Mário de Sá-Carneiro, Goethe e Benjamin Jarnés, e outros que falam de José Régio, Tolstoi, Dostoievski, James Joyce, Marcel Proust, Paul Valéry, Stéphane Mallarmé ou Jules Supervielle. 213 páginas. 12 x 19 cm. Um excelente exemplar, muito estimado. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1933 (foi reeditado em 2004, com um novo prefácio de Carlos Leone).

Como curiosidade, refira-se a existência desta obra na biblioteca pessoal de Fernando Pessoa.

Preço: 30 euros.



ADOLESCENTES


ADOLFO CASAIS MONTEIRO


Primeiro, e único, romance de Casais Monteiro. Capa de Roberto Araújo. Página de guarda com um carimbo «Oferta dos Editores» e uma nota manuscrita: «Para a Biblioteca do SEN». 201 páginas. 13 x 19,5 cm. Porto: Editorial Ibérica, 1945.

Invulgar.

Preço: 20 euros.



O CORSÁRIO


JEAN DRAULT


Tradução de ADOLFO CASAIS MONTEIRO. Segundo o prefácio de Drault, este romance de pirataria é, sob certos aspectos, «uma nova história de Robinsons», passada na Ilha Maurícia. Com 224 páginas, e 12,5 x 19 cm. Porto: Editora Educação Nacional, 1941.

Preço: 10 euros.



POESIAS COMPLETAS

1929 – 1969


ADOLFO CASAIS MONTEIRO


Compilação de (quase) toda a poesia publicada por Adolfo Casais Monteiro, com um prefácio do autor e acrescida do livro inédito O Estrangeiro Definitivo, escrito no Brasil. Capa de João da Câmara Leme. Com xii-346 páginas, e 14 x 20 cm. Um bom exemplar. Colecção Poetas de Hoje, n.º 32. Lisboa: Portugália, 1969.

Preço: 30 euros.



ESTRUTURA E AUTENTICIDADE
NA TEORIA E CRÍTICA LITERÁRIAS


ADOLFO CASAIS MONTEIRO


Capa de Armando Alves. 160 páginas. 15 x 24 cm. Colecção Estudos Gerais, série Universitária. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1984. Esgotado.

Preço: 15 euros.


«The settings are unashamedly middle-class: all the protagonists have cars, credit cards and maids. The maids, secretaries, receptionists, policemen and shop assistants provide background colour but are distinguished from the main characters by their incorrect speech or strong accents, their interior decorating, their clothes and their manners. The bad taste of the lower classes and the nouveaux-riches is described scornfully and gleefully by both characters and narrators: tracksuits, shoes with tassels, extreme mini-skirts, excess cleavage or man-made fabrics. The assumption of what is good taste and what is bad is never questioned. This clear-cut class divide is patronising and perpetuates stereotyped images of both the bourgeoisie and the working class. Relationships that cross class barriers are frowned upon and broken up by the heroines wherever possible.»

Uma análise muito british, por Claire Williams, da Universidade de Liverpool: Não há coincidências? Women’s Writing in Portugal in 1974 and 2004.

«Lesbians are even less visible in this kind of literature. Rebelo Pinto’s plain, overweight, bitter Maria do Carmo falls in love with her sister-in-law Kika, another “Ugly Duckling” (PCN, 80), and leaves her husband. Her behaviour is explained gradually, as details of her past are revealed: her father was a womaniser who beat her mother into submission and abused her sister. Ironically, Maria do Carmo is one of the few characters whose story ends happily. Lina is another lesbian, a peripheral character who is colourful and eccentric, but nobody’s fool. She is described affectionately (?) as “a chefe do bando das fufas de 1,47m, daquelas baixinhas poderosas que, quando levantam o sobrolho, são capazes de silenciar uma sala repleta de homens” (PCN, 209). These portrayals are extreme and cartoon-like, serving to reinforce stereotypical ideas about homosexuals, confirming preconceived ideas about their appearance, their taste and situating them firmly outside the mainstream – “they” are not “people like us”.»

Um artigo para o congresso da Universidade de Utrecht, THE VALUE OF LITERATURE IN AND AFTER THE SEVENTIES: THE CASE OF ITALY AND PORTUGAL, acontecido em 2004.