ESTUDOS BIOGRAPHICOS

OU NOTICIA DAS PESSOAS RETRATADAS NOS
QUADROS HISTORICOS PERTENCENTES À BIBLIOTHECA NACIONAL DE LISBOA

JOSÉ BARBOSA CANAES DE FIGUEIREDO CASTELLO-BRANCO


Bastas vezes citado por Inocêncio nos verbetes do Diccionario (e biobibliografado em IV:264-267), que sobre esta obra em particular anota:

A larga introducção de pag. xiv a lxxvi é uma espécie de quadro geral, ou resenha narrativa dos successos da egreja catholica, deduzida desde a creação do mundo conforme o texto bíblico, e trazida até os nossos dias. Falando verdade, fica tão bem collocada n’aquelle logar e n’aquella obra, como o ficaria em qualquer outra, para que o auctor a destinasse. Seguem-se as biographias, nas quaes apparecem suecessivamente arregimentados por ordem de hierarchias, sanetos, pontífices, bispos, presbyteros, e a final indivíduos seculares, ou leigos, na phrase do auctor. Entre estas personagens conta-se um bom numero de portuguezes, posto que uma grande parte, e talvez a maior, sejam estrangeiros. O auctor semêa por todo o livro notas, e reflexões, que não deixam de ser instructivas e curiosas, e mostram a sua erudição ecclesiastica, e as doutrinas e opiniões que professava em assumptos de padroado, concordatas, bullas, inquisição, jesuítas, etc, etc. Ha também varias noticias topographicas e da historia ecclesiastica de algumas cidades e povoações, tanto do continente de Portugal, como dos domínios ultramarinos.

Contém índices onomástico, topográfico e genealógico, no final.

Sólido fólio de (2),lxxvi,317,(13) págs. e 33,7 x 23,5 cm, em encadernação sintética moderna, sem capas de brochura, com marcas de restauro marginal no ante-rosto e rosto e ínfima assinatura de posse junto à margem superior do ante-rosto, esvanecida, datada de 1903. Miolo limpo. No geral, bom exemplar. Lisboa: na loja do editor F. A. Silva, 1854.

Preço: 95 euros.


 


CARTA DE GUIA DE CASADOS

D. FRANCISCO MANUEL DE MELO

___ encadernado com ___

ODES PINDARICAS

ANTÓNIO DINIZ DA CRUZ E SILVA


Em consequência das Invasões Napoleónicas e sequentes Revolução Liberal e Guerra Civil, durante a segunda e terceira décadas de oitocentos, uma comunidade de exilados portugueses em Londres animou a edição de clássicos, periódicos e diatribes político-governativas, parte da qual tipografada na Fleet Street, na oficina de Thomas Curson Hansard, famoso impressor dos Debates Parlamentares britânicos.
A Carta de Guia de Casados, de D. Francisco Manuel de Melo (1 de Maio de 1820), e as Odes Pindaricas (3 de Março de 1820), de António Diniz da Cruz e Silva, foram impressas por Hansard com poucos meses de distância, «dadas á luz» por «dois portuguezes» [cit. Advertência (s)] anónimos, movidos «por os desejos de fazer reviver alguns dos nossos livros classicos»:

[volume compósito formado por]

CARTA DE GVIA DE CASADOS. Paraque Pello Caminho da Prudencia se Acerte Com a Casa do Descanso. A hum amigo. Por D. Francisco Manuel [de Melo]. Em Londres: na officina de T. C. Hansard, Peterboro’-Court, Fleet Street. 1820. Com xxvi+(2)+184 páginas. Antecedem a obra a advertência (datada) dos editores (anónimos), onde anunciam seguir a edição de Craesbeeck (1671); e um epítome da vida do autor, por «Dom Bartholomeu de Gallardo».

[seguido de]

ODES PINDARICAS, de Antonio Dinys da Cruz e Silva; chamado entre os poetas da Arcadia Portugueza, ELPINO NONACRIENSE. Londres: na officina de T. C. Hansard, Peterboro’-Court, Fleet Street. 1820. [Citação de Horácio no rosto, visível numa das fotografias supra]. Com iv+224+(2) páginas — em falta: as duas páginas da Advertência (datada) dos editores (anónimos), constatada noutro exemplar.

Inclui índice dos dedicatários das Odes: Vasco da Gama, Henrique de Macedo, André Furtado de Mendonça, António Correa Baharem, Paulo de Lima, João Fernandes Vieira, Heitor da Silveira, Nuno Álvares Botelho, António de Saldanha, Dom João de Castro, António Moniz Barreto, Salvador Ribeiro de Sousa, João Rodrigues de Sá, Duarte Pacheco Pereira, Fernando Peres de Andrade, Nuno Fernandes de Ataíde, Gonçalo Pereira Marramaques, André de Albuquerque, Mem Lopes Carrasco, António Galvão, Lopo de Sousa Coutinho, Diogo da Silveira, António da Silveira, Conde de Lippe, Marquês de Pombal, D. José I, Henrique José Maria Adão, João de Saldanha, Martinho de Melo e Castro e Dom João da Silva.

Em ambas as edições destacou Inocêncio «a nitidez dos typos» e o tipo de papel [II, 441; I, 124], não deixando de anotar que, nesta 3.ª edição das Odes de Diniz da Cruz e Silva, há falta de dez odes relativamente às antecedentes de Coimbra (1801) e Lisboa (1815-1817).

Terão sido reunidas num único volume por antigo possuidor, que os marcou com a assinatura de posse «Bento da França» no ante-rosto da primeira obra e após a última página da segunda.

Dos (pelo menos) três Bento da França cujo registo se conhece ao longo do século XIX, um foi militar liberal e dois administradores coloniais. Pensamos tratar-se de Bento da França Pinto de Oliveira (1833-1889), autor de títulos importantes para a História de Macau.

Uma segunda assinatura de posse ilegível, coeva da primeira, figura sumida no ante-rosto da Carta.

Encadernação sintética modesta, de difícil datação, com 17 x 11 cm. Cerca de 440 páginas. Miolo aparado, com leves manchas ocasionais.

Raro.

Preço: 90 euros.