A MULHER ALGARVIA


AMÍLCAR LOURO


No Algarve — idílico jardim odorante embalado languidamente pela brisa suave de um mar de cobalto — sonha e desponta uma rainha em dia de núpcias: — a algarvia.
Mercê de circunstâncias várias, como sejam a ancestralidade tão rica em motivos lendários, recordados em afável e patriarcal convívio, e a influência do clima adormecedor, propício à indolência, a nossa mulher mais meridional tem ainda uma certa predisposição ingénita para se entreter com os castelos de fadas e toda a sorte de quimeras expressas nos contos, quasi sempre de feição luso-árabe, transmitidos desde os tempos remotos por tantas gerações.
O sangue mouro que lhe corre nas veias impele-a a um viver ofegante, ansioso, ardente. Suspira por anelantes e insaciáveis carinhos de noivado perene. Procura encaminhar a existência para um sonho de mil e uma noites — e assim facilmente se entranha no prazer. É a mulher mais sensual do nosso país.

[pp. 16-17]

Capa de Neves de Sousa (desenho de 1945). Prefácio de Luís Forjaz Trigueiros. 93+(7) páginas. 19 x 13 cm. Exemplar interessante, com dedicatória não-autoral, e capas com algumas manchas. Miolo limpo. Composto e impresso nas oficinas gráficas da Editorial do Povo, [s.l.], 1946.

Preço: 17 euros.