MEMÓRIAS DE UM VENCIDO

(1882-1921)

ANTÓNIO CLARO


Título completo: Memórias de um Vencido, que são a pintura fiel, quanto possível, das minhas recordações desde 1882 a 1921.

«… livro em que ele revive a sua vida desde as estúrdias da boémia coimbrã (…) até à tragédia do 31 de Janeiro, ao exílio forçado por terras de Espanha e do Brasil e ao exílio voluntário com o coração cheio de nojo pelas baixezas torpes de certo jacobinismo republicano.» [aqui]

Brochado. 258,(2) páginas. 19 x 12 cm. Lombada amarelecida. Miolo limpo. No geral, bom exemplar. Porto: Livraria Civilização, 1924.

Preço: 20 euros.


 


AULAS REGIMENTAIS

CURSO PRÁTICO DE HABILITAÇÃO PARA PRIMEIROS SARGENTOS

FÍSICA


J. S.


Ilustrado. Brochado. 62,(2) páginas. 16 x 10,5 cm. Usado. Pequena rubrica de posse, um ou outro sublinhado ou garatuja. Mantém-se exemplar interessante. Lisboa: Fernandes & C.ª, Livraria, Papelaria e Tipografia, [1921].

Preço: 14 euros.


 


MEMÓRIAS INÉDITAS DA RAINHA DONA AMÉLIA


LUCIEN CORPECHOT


«This memoir, written by a French journalist while its subject was still very much alive, reads almost like a work of fiction that bates the last days of the Portuguese monarchy in a soft glow of regret. The queen is portrayed as a woman whose courage was tested in many dramatic ways. Corpechot recounts stories of her rescuing the infant Luís Filipe from a cradle that had somehow caught fire, and plunging into the sea to help save a fisherman who had got himself into trouble.» [Malyn Newitt]

Título completo: Memórias Inéditas da Rainha Dona Amélia de Portugal. História dolorosa d’uma Princeza da Casa de França. Compendiadas por Lucien Corpechot.

Rara primeira edição em português, impressa em Paris. Tradução de Mello Menezes. Ilustrado com diversos  retratos fotográficos da família real, a preto, em extra-textos couché.

Volume intonso. Brochado. 143,(7) páginas. 19 x 12 cm. Pequena etiqueta de antiga biblioteca pessoal com o número «69» manuscrito, à cabeça da lombada. Muito bom estado de conservação. Rio de Janeiro: Casa A. Moura, 1913.

Preço: 40 euros.


 


JORNAL O NEGRO


EDIÇÃO COMEMORATIVA DO 110.º ANIVERSÁRIO


Reedição histórica integral dos três únicos números publicados do jornal O Negro (Orgão da Associação dos Estudantes Negros, Lisboa, 1911), «o primeiro periódico editado de uma geração de activistas» que, cinco meses após a proclamação da República e durante os 22 anos seguintes, até à instauração do Estado Novo, se organizou «em torno do pan-africanismo, da luta contra o racismo e da reivindicação de direitos para os territórios colonizados».

Caderno de 16 páginas [pdf] — em envelope craft editorial — fac-simile aproximado ao tamanho original da publicação (42 x 29,7 cm) — três números de 4 páginas cada, seguidos das 4 páginas do ensaio ilustrado «Uma semente de um movimento negro silenciado», de Cristina Roldão, José Augusto Pereira e Pedro Varela. Editor: Ouvir e Contar, Associação de Contadores de Histórias. Publicação: Falas Afrikanas. Lisboa, 9 de Março de 2021.

Preço: 5 euros.


 


A MANUTENÇÃO MILITAR

1920-1921

RELATÓRIO DA GERÊNCIA

FRANCISCO DE PINA LOPES


O Major Francisco de Pina Lopes, com carreira militar preenchida de honras e louvores, destacou-se na organização administrativa — «modelar», segundo Gomes da Costa, e «com a mais severa economia e perfeição» —, tanto na Guarda Fiscal como na 1.ª Divisão do C.E.P., mas também, depois da Guerra, na Manutenção Militar. Foi eleito senador em 1915, e deputado em 1919, tendo exercido funções de secretário e relator de diversas comissões relativas a assuntos militares, fiscais e orçamentais. Finalmente, nos governos de António Maria Baptista e José Ramos Preto, foi Ministro das Finanças. Após passar à situação de licença ilimitada, em 1923, foi administrador da C.P. e de várias outras indústrias e bancos, nacionais e ultramarinos [GEPB, v. 21, pp. 690-691].

Este Relatório da Gerência da Manutenção Militar, correspondente ao biénio 1920-1921, é bom exemplo das ditas capacidades organizativas e administrativas de Pina Lopes, que procura ser «intérprete fiel e austero» do que observou, executou e fez executar, num momento orçamental difícil. Extenso e detalhado, com fotografias, desenhos e tabelas e mapas desdobráveis, pormenoriza secções, divisões, serviços, sucursais e depósitos, funções e vencimentos do pessoal, a instrução, o fardamento, a disciplina, os transportes ou a produção cerealífera. Destaque para o capítulo VIII, sobre a Greve dos Padeiros, p. 31-33.

Com 22 x 16,5 cm, e 78,[67],XXI,(3) páginas, contém 58 fotografias, desde a barbearia à biblioteca, passando pela marcha das operárias e o touro holandês da sucursal dos Olivais; 2 páginas com desenhos: a produção de pão e a produção de enchidos; 2 mapas desdobráveis e 2 tabelas desdobráveis. Bom estado de conservação.

Preço: 35 euros.



O DESTERRO DAS MANTILHAS


[ANTÓNIO JOAQUIM MESQUITA E MELO]


Anunciada a sua venda ao público nas edições d’O Correio do Porto de 19 e 20 de Dezembro de 1820 embora Inocêncio lhe atribua a data de 1821, ver I-162 e tb. VIII-186 teve por autor, sob pseudónimo, António Joaquim Mesquita e Melo, poeta natural de Avintes que à época teria cerca de 30 anos de idade. A questão das mantilhas, tema do opúsculo, é um problema coevo sobre o qual existem reflexões de Garrett e, mais tarde, também de Camilo (ver aqui).

Título completo: O DESTERRO DAS MANTILHAS : ou Exhortação em que o Poeta Gallego com rasões bem arrasoadas, mostra a necessidade de desterrar um traje, que esconde a formosura e a gentilesa das Mulheres bonitas. Porto: Na Typografia à Praça de S. Thereza, [1820].

Caderno de 8 páginas, cosido. 21,5 x 15,5 cm. Conserva, soltas, as frágeis capas de brochura originais, azuis, não impressas. Capas e miolo com variados vincos e algumas manchas.

Exemplar com assinatura de posse, no topo da primeira e na base da última página, de João Carlos Mascarenhas de Mello, n. 1860, médico-cirurgião, militar condecorado e republicano — como sub-inspector de saúde da 1.ª divisão militar, por exemplo, encontramo-lo de visita ao moderno Pavilhão Vacinogénico de Lisboa, em 1911. Mascarenhas de Melo foi, também, durante 23 anos consecutivos, presidente da assembleia geral do Sport Lisboa e Benfica, entre 1908 e 1931, e não por acaso surge homenageado na primeira página do primeiro número do boletim oficial do clube, em 1927, sendo então o sócio n.º 10.

Muito invulgar.

Preço: 65 euros.



 


SCENAS DA IMPRENSA NACIONAL

A BERNARDA DO RELATÓRIO


Poema heróico-risível em três cantos, um prólogo e um epílogo, original atribuído a Artelio Pompeu, Marculio Arbio, Roma Patavini e Silvio Augusto. Mandado imprimir a expensas de 23 bibliógrafos.

D’este poema se imprimiu um número restricto de exemplares, distribuídos à sorte. Ninguém é obrigado a lê-lo, nem tão pouco a dizer que o recebeu. É inútil rasgá-lo ou queimá-lo para o destruir. É permitido suspeitar do nome dos autores, mas previne-se que é dificílimo acertar. Há algumas pontas de fora, mas é arriscado puxar por elas. O melhor em todos os casos é meditar sobre o que ele diz.

Brochado. 33 páginas. 21 x 11 cm. Bom estado. [Lisboa]: edição dos autores, Dezembro de 1914.

Preço: 15 euros.


 


O IDEAL REPUBLICANO

A IGNORÂNCIA É A INIMIGA DA DEMOCRACIA

ANTÓNIO SÁ NOGUEIRA


Conferência promovida pelo Grupo de Estudos Democráticos, e presidida por Brito Camacho, realizada no Teatro da Trindade em 14 de Janeiro de 1932. Termina com «Viva a República!»

(…) apesar de se afirmar «plataforma» ou estrutura «complementar» da Aliança Republicano-Socialista (Azevedo Gomes, Mário de Castro, Norton de Matos, Tito de Morais e outros), o GED representava uma alternativa a esta organização, pelo menos como movimento suprapartidário. Criado em 1931, por Armando Marques Guedes (com António Sá Nogueira e Dias Pereira) o Grupo assinala nos seus traços constitutivos a intenção de robustecer a Democracia no interior da República, animado por «ideias liberais e socialistas» e dentro do típico programa seareiro, demopédico e assente num «iluminismo de elites», elitismo ao qual se terá a prevenção, porém, em não taxar de «anti-popular». [cit. Paulo Archer de Carvalho]

Desenho da capa assinado JS. Brochado. 47 páginas e 19 x 12,5 cm. Manchas exteriores leves. Bom estado geral. Colecção Luz. Lisboa: Emprêsa Editora Luz, 1932.

Preço: 17 euros.


 


O PÃO NOSSO


ANTÓNIO DE PÁDUA CORREIA


Semanário Republicano Portuense. Colecção completa dos 23 panfletos numerados, publicados entre 19 de Abril e 28 de Setembro de 1910, com 16 páginas cada (total de 368 páginas). Encadernação recente (24 x 16 cm), sóbria e sólida, com rótulo em pele. Capas espelhadas, miolo não aparado. Em bom estado geral. Porto: Empresa do Pão Nosso, 1910.

Conjunto invulgar.

Preço: 85 euros.


Consultar aqui a ultra-completa ficha histórico-bibliográfica da
Hemeroteca de Lisboa,
e aqui todos os 23 números
digitalizados pela mesma instituição.

 


VIAGEM ATRAVÉS DUNS OLHOS VERDES


URBANO RODRIGUES


Nestes agitados tempos muita gente não compreende como possa alguém dedicar-se a escrever romances. Eu entendo que a nossa vida não deve ter suspensões senão aquelas que não podemos evitar, e que trabalhar cada um serenamente no seu sector é sempre um serviço útil e digno de respeito.
Posto isto, seja-me permitido advertir o leitor amável — e esse é o fim principal destas linhas — de que encontrará adiante algumas frases e muitas palavras do árabe vulgar, cuja significação indico em chamadas ao fundo das páginas. (…) 
[início do «Esclarecimento», nota inicial do autor, pp. 5-6]

Romance. Assinado pelo autor [preso durante o sidonismo, antigo chefe de gabinete e secretário de Afonso Costa, e pai do escritor Urbano Tavares Rodrigues] com dedicatória de «muito apreço» ao «Dr. Alberto Reis». 267+(5) páginas. 20 x 12,8 cm. Lombada amarelecida. Ocasionais manchas no miolo. Bom estado geral. Composto e impresso nas oficinas gráficas da Empresa Nacional de Publicidade, Lisboa, 1940.

Preço: 25 euros.


 


CANÇÕES DA TARDE


BULHÃO PATO


Exemplar com assinatura de posse, na folha de rosto, de José Maria Barbosa de Magalhães, ilustre aveirense (1879-1959), um dos autores da Constituição de 1911, ministro na Primeira República, bastonário da Ordem dos Advogados na década de 30 e membro da Comissão Directiva do MUD, na década de 40.

Brinde aos Senhores Assignantes do Diário de Notícias. Data na capa difere da data no rosto (1866). Livro de poemas que inclui versos a José Estevão, mas também à cantora Lotti, ambos complementados com alguns parágrafos de notas evocativas.

Capa com nota manuscrita “2.º brinde”. Encadernação com a lombada em pele, sóbria e estimada, em muito bom estado de conservação. Miolo apenas aparado à cabeça, carminado, conserva capas de brochura. 108+(4) páginas. 18,5 x 12,3 cm. Conjunto invulgar. Lisboa: na Typographia Universal de Thomaz Quintino Antunes, 1867.

Preço: 45 euros.