LISBOA EM QUATRO HORAS
E LISBOA EM QUATRO DIAS


Nova Edição. Um guia turístico de Lisboa com 122 anos. Sem menção do autor (há referências de uma edição com o mesmo título, no Rio de Janeiro, uns 8 anos antes, igualmente sem autoria indicada). 82 páginas. 14 x 19 cm. Encadernação recente em sintético, impecável. Sem a capa de brochura anterior. Não aparado. Algumas páginas por abrir. Raro. Lisboa: Typ. da Companhia Nacional Editora, 1895.

Preço: 60 euros.



PÁSSAROS DE ASAS CORTADAS


LUÍS FRANCISCO REBELO
ARTUR RAMOS
[LUÍS DE] STTAU MONTEIRO
ALEXANDRE O’NEILL


Guião do filme, estreado no Coliseu do Porto a 19 de Abril de 1963, segundo a peça de Luís Francisco Rebelo, adaptada por Artur Ramos e Luís Francisco Rebelo, com diálogos de Luís de Sttau Monteiro e Alexandre O’Neill, e planificação de Artur Ramos.

Assinado no ante-rosto pelos quatro autores.

Ilustrado com inúmeros fotogramas do filme (“gravuras da Fotogravura”), alguns de página inteira. Capa de Miguel Flávio. Exemplar manuseado e com algumas manchas, e ainda um carimbo de posse no topo da página dos autógrafos. Anotação manuscrita na página de guarda posterior (página em branco, verso do colofón). 138+(6) páginas. 12,5 x 18,5 cm. Lisboa: Prelo, 1963.

Invulgar.

Preço: 55 euros.



ELEMENTOS PARA A HISTÓRIA
DO MUNICÍPIO DE LISBOA


EDUARDO FREIRE DE OLIVEIRA


Título e autor, tal qual figuram no rosto: Elementos para a História do Município de Lisboa, por Eduardo Freire de Oliveira, arquivista da Camara Municipal da mesma cidade. 1.ª PARTE. Publicação mandada fazer a expensas da Camara Municipal de Lisboa, para commemorar o centenario do Marquez de Pombal em 8 de Maio de 1882.

Mais de 10 mil páginas de documentos oficiais de algum modo relevantes, organizados cronologicamente e alusivos a séculos de assuntos invariavelmente díspares — as iguarias de um banquete celebratório, a colocação na prisão do Limoeiro do líder de uma «companhia de comediantes de Castella», a lista das pessoas de cada freguesia que se recusam a participar numa campanha de limpeza pública, a morte do rei —, num panorama que permite acompanhar os reflexos da política e da história do país nas várias decisões e questões do município d’esta cidade onde desde muito cedo esteve instalado um Governo demasiado centralista.

Temos assim «a carta regia que trouxe a communicação official da morte de Filippe II» (tomo II, quase todo dedicado ao “tempo dos Filipes”, pág. 590), «a ruína de Lisboa», no sábado 1 de Novembro de 1755 (tomo XVI, a partir da página 133, com lista e descrição sumária de abalos sísmicos anteriores, nomeadamente os de 1309, 1321, 1344, 1356, 1512, 1531, 1551, 1575, 1597, 1598, 1699 e 1724), a inauguração da estátua equestre de D. José (em parte citada aqui) ou a «consulta da Cammara a el-rei em 2 de julho de 1650», onde se propõem os nomes de «doze fidalgos, doze cidadãos e doze homens do povo» para «terem as chaves das quatro portas da cidade» (tomo V, p. 208, antecedendo em algumas páginas a lista exaustiva dos preços de venda de todo o tipo de animais para alimentação, indexados inteiros, em partes, e por género).

O primeiro documento transcrito no tomo I, que não o foral de 1179, data de 7 de Novembro de 1190, e o último documento transcrito no tomo XVII data de 23 de Agosto de 1777. Entre ambos, os diversos prefácios e as anotações constantes de Freire de Oliveira (1841-1916) desvelam e aprofundam as origens e importância dos textos que transcreve. Contém ainda algumas ilustrações, muito poucas, destacando-se a litografia da Divisa da Cidade, que abre o tomo X, ou a «planta litographada da sala das sessões do senado da camara de Lisboa, que acompanha a carta regia de 13 de Novembro de 1773» (tomo I, pág. 68).

[Para uma descrição mais detalhada da cronologia de cada tomo, consulte-se o artigo de António Miranda na Rossio n.º 1, de 2013. Como o plano cronológico da 1.ª parte da obra deveria ter prosseguido até ao ano do início da publicação (1882), suspeita-se que, além da nunca publicada 2.ª parte, também desta 1.ª parte terá ficado por publicar pelo menos um tomo, para o período 1777-1882.]

Obra completa (tudo quanto se publicou), em XVII tomos de 16,5 x 24,5 cm (66cm de estante), Lisboa: Typographia Universal, 1882-1911.

Tomo I, 1885, (12)+661+(5) págs. Tomo II, 1887, xiv+593+(2) págs. Tomo III, 1888, vi+584+(3) págs. Tomo IV, 1889, xii+628+(3) págs. Tomo V, 1891, vi+620+(3) págs. Tomo VI, 1893, ix+627+(2) págs. Tomo VII, 1894, cxii+466+(3) págs. Tomo VIII, 1896, vi+593+(3) págs. Tomo IX, 1898, vi+617+(4) págs. Tomo X, 1899, viii+595+(2) págs. Tomo XI, 1901, vi+632+(3) págs. Tomo XII, 1903, (10)+652+(3) págs. Tomo XIII, 1904, (6)+622+(3) págs. Tomo XIV, 1906, (6)+634+(3) págs. Tomo XV, 1906, (6)+630+(3) págs. Tomo XVI, 1910, xiv+567+(4) págs. Tomo XVII, 1911, (6)+622+(3) págs.

Acrescentam-se os dois volumes de índices, publicados cerca de 40 anos mais tarde: Índice dos «Elementos para a História do Município de Lisboa», por Esteves Rodrigues da Silva, sob a direcção de Jaime Lopes Dias, 2 vols., Lisboa: Câmara Municipal, 1942-1943. Com 396+578 páginas, e 17 x 22,5 cm. Capa do volume II com um rasgão restaurado. Páginas por abrir.

Todos os 19 volumes em brochura e 17 deles com as páginas por abrir. Bom estado geral, com não mais do que pequenos defeitos dispersos (muito ocasionais picos de humidade; algumas lombadas mais amarelecidas que outras; bicho de papel que atacou superficialmente a capa do tomo VI; e situações afins, de pouca monta).

Conjunto invulgar.

Preço: 480 euros.




ANTÓNIO NOBRE


Edição de 3.000 exemplares, correcta e augmentada, em papel couché, com desenhos de Eduardo Moura e Júlio Ramos, e o retrato do poeta d’après Thomaz Costa. 

2.ª edição, revista, aumentada e ilustrada. 172+(6) páginas. 11,5 x 21,5 cm. Meia encadernação de pele, hodierna, em muito bom estado de conservação, com nervos e dois rótulos. Sem capas de brochura. Intonso. Impresso em Paris. Lisboa: Guillard, Aillaud & C.ª, 1898.

Preço: 200 euros.



PIERROT E ARLEQUIM,

PERSONAGENS DE TEATRO
Ensaios de dialogo seguidos de commentarios

JOSÉ DE ALMADA NEGREIROS


Peça originalmente publicada no primeiro número da revista Athena, dirigida por Fernando Pessoa, em Outubro de 1924, o mês anterior a esta edição. «Embora muitas vezes considerado como uma obra de teatro, Pierrot e Arlequim foi anunciado como conferência, «da série Harmonia», pelo Diário de Lisboa (7 e 12 de fevereiro e 9 de outubro de 1924).» [modernismo.pt]

Desenhos de Almada incluídos: um autoretrato, dois figurinos, um desenho allusivo e o motivo da capa.

Primeira edição em livro. 68+(2) páginas, a penúltima delas anunciando a publicação para breve da peça Portugal (trez actos), o que não chegou a acontecer. 13 x 19 cm. Lisboa: Portugalia Editora, [Nov.] 1924.

Exemplar encadernado em sintético (encadernação sóbria e sólida, em excelente estado de conservação), com a capa anterior mas não a posterior, aparado (perdeu as pequenas badanas, não impressas), e com duas faltas de papel: uma no canto inferior interior da página de rosto, a outra no canto inferior interior da última página, a 68, este fazendo desaparecer para sempre, do fundo da página 67, as duas últimas letras da palavra “grandes” bem como toda a palavra “asas”… [clique nas fotografias supra]. Miolo muito limpo, em excelente estado de conservação, tal como os quatro desenhos e a capa. Com ex-libris distinto, de anterior proprietário. No geral, um exemplar muito interessante — onde as virtudes compensam os defeitos — de uma obra essencial da bibliografia do artista.

Raro.

Preço: 150 euros.



INDÍCIOS DE OIRO


MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO


Propusemo-nos editar os Indícios de Oiro desde que Fernando Pessoa, há anos, nos confiou uma sua cópia. A Fernando Pessoa, depositário dos inéditos de Sá-Carneiro, se devia já a publicação na Contemporânea, na Athena, na Presença, em outras revistas ainda, de vários poemas dos Indícios de Oiro. Além de que já um grupo dêles fôra publicado em vida do Poeta, no N.º 2 do Orpheu. Não se trata, pois, duma colectânea de dispersos: Mas duma obra que só a morte impediu o autor de publicar, e cujo título e ordenação Êle próprio determinou. O poeta suicidou-se a 26 de Abril de 1916. Assim alguns poemas são de poucos meses anteriores à sua morte. O Último Soneto (que não foi o seu último soneto mas só o último soneto dos Indícios de Oiro) é de Dezembro de 1915. Aos Índicios de Oiro julgamos dever juntar Os Últimos Poemas de Mário de Sá-Carneiro. Foram quàsi todos êstes publicados por Fernando Pessoa no N.º 2 da sua revista Athena. Por nos parecer que deverá interessar aos leitores dêste livro, publicamos ainda transcrita do N.º 16 da Presença (Novembro de 1928), uma Tábua bibliográfica relativa ao Poeta. Pôsto haja saído anónimamente na citada fôlha, foi também Fernando Pessoa quem a redigiu

[«Nota dos Editores», na última página do livro]


Primeira edição (póstuma). Exemplar n.º 161 da tiragem de 700 exemplares em papel vergé (tiragem total de 850 exemplares, dos quais 55 fora do mercado). Com 86 páginas, e 19,5 x 26 cm. Capa com manchas, visíveis na fotografia. Lombada escurecida, fendida em dois pontos, mas completa. Exemplar manuseado, mas muito interessante, de uma obra rara, pois possui uma pequena e discreta assinatura de posse do arquitecto Alberto José Pessoa, datada de 1938, na página de ante-rosto. Lisboa: Edições «Presença», 1937.

Preço: 280 euros.



VENEZA DE VISTA E OUVIDO


LÉLIA COELHO FROTA


Exemplar n.º 84 de uma tiragem única de 100 exemplares numerados e assinados pela autora, fora de mercado, para oferta a amigos. Edição bilingue, com tradução italiana de Luciana Stegagno Picchio. Prefácio de Alexandre Eulálio. Vinhetas de Maria Leontina. Projecto gráfico de Cecília Jucá de Holanda. 46 páginas. 12x16cm. Rio de Janeiro, 1986.

Acabado de imprimir a 11 de Julho de 1986, data do 48.º aniversário de Lélia Coelho Frota. Autografado (e emendado) pela autora com dedicatória à poetisa e tradutora Maria da Saudade Cortesão, esposa do poeta Murillo Mendes.

Lélia Coelho Frota, historiadora de arte e especialista em cultura popular brasileira, foi curadora da representação brasileira nas Bienais de Veneza de 1978 e 1988, a primeira das quais corresponde à data em que este conjunto de poemas foi escrito.

Preço: 45 euros.


Informação complementar:
  • Antologia de poemas por António Miranda, aqui.
  • O exemplar n.º 21 de Veneza de Vista e Ouvido foi oferecido ao escritor brasileiro Lázaro Barreto (aqui).



MANUAL DE ZOOLOGIA FANTASTICA


JORGE LUIS BORGES


A un chico lo llevan por primera vez al jardín zoológico. Ese chico será cualquiera de nosotros o, inversamente, nosotros hemos sido ese chico y lo hemos olvidado. En ese jardín, en ese terrible jardín, el chico ve animales vivientes que nunca ha visto; ve jaguares, buitres, bisontes y, lo que es más extraño, jirafas. ve por primera vez la desatinada variedad del reino animal, y ese espectáculo, que podría alarmarlo u horrorizarlo, le gusta. Le gusta tanto que ir al jardín zoológico es una diversión infantil, o puede parecerlo. Cómo explicar este hecho común y a la vez misterioso?

Primeira edição. Ilustrado. Colaboração de Margarita Guerrero. Capa com desenho de Fabrizio Clerici («El catoblepas»). Arranjo gráfico de Emmanuel Carballo. Tela editorial com sobrecapa, em bom estado de conservação. Miolo impecável, limpo e fresco, salvo pequena rubrica de posse no rosto. 159 páginas. 11 x 17,5 cm. Colecção Breviarios del Fondo de Cultura Económica, n.º 125. México / Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 1957. Invulgar.

Preço: 120 euros.




ANTIGUAS LITERATURAS GERMANICAS


JORGE LUIS BORGES


La mención de Alemania o de Inglaterra basta para demonstrar la importancia de las culturas germánicas. El primer testimonio de esas culturas fué la literatura que produjeron; nadie, en verdad, puede ser indiferente a su estudio. Sin embargo, la materia de que trata este libro es casi ignorada en los países de habla espanõla; aun las personas cultas suelen limitar su conocimiento a nociones de mitos escandinavos, tomadas de las óperas de Wagner. Se olvida que Inglaterra produjo, antes de la conquista normanda, una secular y dilatada literatura; se ignora que en Islandia culminó la literatura germánica.

Primeira edição. Ilustrado. Colaboração de Delia Ingenieros. Capa com reprodução do manuscrito C do Nibelungenlied (século XIII). Arranjo gráfico de Ali Chumacero. Manuseado. Tela editorial com sobrecapa, esta em mau estado de conservação, com a lombada partida e remendada. Miolo amarelecido, com pequena rubrica de posse no rosto. Exemplar razoável, mas necessita de reparação. 179 páginas. 11 x 17,5 cm. Colecção Breviarios del Fondo de Cultura Económica, n.º 53. México / Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 1951. Invulgar.

Preço: 25 euros.

Exemplar com sobrecapa em bom estado, sem rubrica de posse: 50 euros.



PROJET DE RÉFORME PARLEMENTAIRE ÉLECTORALE

ADRESSÉ A L’ASSEMBLÉE NATIONALE LÉGISLATIVE DE LA FRANCE

LUCIANO LOPES PEREIRA


Resumido da seguinte forma no rosto: Organisation législative intégrale (A bas les monocéphalies et bicéphalies législatives); Representation des classes (A bas l’absurde représentation des localités); Hiérarchie des capacités (A bas les capacités improvisées); Système des candidatures (A bas la duperie électorale).

Encadernação da época, com desgaste superficial. 20 páginas. 17 x 25 cm. Rio de Janeiro: Typographia Franceza, 1849.

Autografado pelo autor, docteur de la faculté de médecine de Paris, para «o distinto historiador Alexandre Herculano».

Preço: 40 euros.