O DESTERRO DAS MANTILHAS


[ANTÓNIO JOAQUIM MESQUITA E MELO]


Anunciada a sua venda ao público nas edições d’O Correio do Porto de 19 e 20 de Dezembro de 1820 embora Inocêncio lhe atribua a data de 1821, ver I-162 e tb. VIII-186 teve por autor, sob pseudónimo, António Joaquim Mesquita e Melo, poeta natural de Avintes que à época teria cerca de 30 anos de idade. A questão das mantilhas, tema do opúsculo, é um problema coevo sobre o qual existem reflexões de Garrett e, mais tarde, também de Camilo (ver aqui).

Título completo: O DESTERRO DAS MANTILHAS : ou Exhortação em que o Poeta Gallego com rasões bem arrasoadas, mostra a necessidade de desterrar um traje, que esconde a formosura e a gentilesa das Mulheres bonitas. Porto: Na Typografia à Praça de S. Thereza, [1820].

Caderno de 8 páginas, cosido. 21,5 x 15,5 cm. Conserva, soltas, as frágeis capas de brochura originais, azuis, não impressas. Capas e miolo com variados vincos e algumas manchas.

Exemplar com assinatura de posse, no topo da primeira e na base da última página, de João Carlos Mascarenhas de Mello, n. 1860, médico-cirurgião, militar condecorado e republicano — como sub-inspector de saúde da 1.ª divisão militar, por exemplo, encontramo-lo de visita ao moderno Pavilhão Vacinogénico de Lisboa, em 1911. Mascarenhas de Melo foi, também, durante 23 anos consecutivos, presidente da assembleia geral do Sport Lisboa e Benfica, entre 1908 e 1931, e não por acaso surge homenageado na primeira página do primeiro número do boletim oficial do clube, em 1927, sendo então o sócio n.º 10.

Muito invulgar.

Preço: 65 euros.



 



ANTÓNIO NOBRE


2.ª edição, revista, aumentada e ilustrada. Edição de 3.000 exemplares, correcta e augmentada, em papel couché, com desenhos de Eduardo Moura e Júlio Ramos, e o retrato do poeta d’après Thomaz Costa.

Meia encadernação de pele de manufactura recente, em muito bom estado de conservação, com nervos e dois rótulos. Sem capas de brochura. 172+(6) páginas. 21,5 x 11,5 cm. Impresso em Paris. Lisboa: Guillard, Aillaud & C.ª, 1898.

Preço: 130 euros.


 


A NOITE


JOSÉ SARAMAGO


A noite de que neste livro se fala é a de 24 para 25 de Abril de 1974. Aqui se diz algum pouco do que aconteceu ou podia ter acontecido por trás das janelas iluminadas das redacções e das tipografias, enquanto na rua o regime fascistas principiava a cair. Entram jornalistas de alto e baixo, tipógrafos, o director de uns, o administrador de todos. Não há retratos mas talvez se encontrem retratos. Tal como na vida dos dias todos, uma gente é boa, outra ruim, outra não sabe o que seja nem sabe o que é. Estes são firmes, aqueles são fracos provavelmente porque nunca se lhes pediu a humana ousadia de o não serem. Não será uma história verdadeira, mas é, com certeza, uma história sem mentira. [da contracapa]

Exemplar assinado por José Saramago com dedicatória de amizade, simples, datada.

Primeira edição. Teatro. Capa e arranjo gráfico de José Araújo. Brochado. 115 páginas. 18,5 x 13 cm. Lombada com dois vincos de leitura. Miolo limpo. No geral, um bom exemplar. Colecção O Campo da Palavra n.º 2. Lisboa: Editorial Caminho, 1979.

Preço: 145 euros.



DESTE MUNDO E DO OUTRO


JOSÉ SARAMAGO


Exemplar assinado por José Saramago com dedicatória de amizade, no ante rosto, datada de Fevereiro de 1971.

Primeira edição. Crónicas. Brochado. 224 páginas. 18 x 10,5 cm. Vinco de leitura pouco pronunciado na lombada. Mínimas marcas de uso. No geral, um exemplar muito interessante. Biblioteca Arcádia de Bolso (BAB) n.º 126, Série I – Arte e Literatura. Lisboa: Editora Arcádia, [Janeiro de] 1971.

Preço: 125 euros.



OS APONTAMENTOS


JOSÉ SARAMAGO


Exemplar assinado por José Saramago com dedicatória personalizada [«este livro de combate enquanto recuperamos o fôlego para continuar»], datada de 7 de Fevereiro de 1976.

Brochado. 248 páginas. 18,5 x 11,5 cm. Lombada com vincos de leitura. Colecção Cadernos Seara Nova, série Actualidade Nacional. Lisboa: Seara Nova, [21 de Janeiro de] 1976.

Preço: 125 euros.



AS OPINIÕES QUE O DL TEVE


JOSÉ SARAMAGO


Exemplar assinado por José Saramago com dedicatória política [«esta política possível num país impossível»], e um «abraço a dobrar», no ante rosto, datada de 1 de Fevereiro de 1974.

Primeira edição. Reunião, até 1973, de textos de opinião e crónica assinados por José Saramago no jornal Diário de Lisboa. Colecção Cadernos Seara Nova, série «Actualidade Nacional». 224 páginas. 18,5 x 11,5 cm. Bom estado. Lisboa: Seara Nova e Editorial Futura, [25 de Janeiro de] 1974.

Preço: 125 euros.


 


REVISTA D’ETHNOLOGIA E GLOTTOLOGIA

ESTUDOS E NOTAS


F. ADOLPHO COELHO


Colecção completa da revista redigida e editada por Francisco Adolfo Coelho, constituída por quatro fascículos, distribuídos por três publicações:

FASCICULO I (1880)
Summario — 1. Esboço d’um programma de estudo d’ethnologia peninsular — 2. Materiaes para o estudo  das festas, crenças e costumes populares portuguezes — 3. Ensaios d’onomatologia celto-iberica — 4. Bibliographia — 5. Variedades (rimas infantis).
22 x 15,2 cm. Páginas 1 a 48. Capa em mau estado na zona do terço interior, junto à lombada, com grande mancha de água e falta de papel (cerca de 4×3 cm) na margem inferior. Lombada em mau estado. Miolo e contracapa praticamente intactos.

FASCICULO II-III (1881)
Summario — 1. Materiaes para o estudo  das festas, crenças e costumes populares portuguezes — 2. Estudos para a historia dos contos tradicionaes.
23,5 x 16 cm. Páginas 49 a 144. Lombada com faltas de papel. Sólido. Capas com manchas leves. Miolo intacto.

FASCICULO IV (1881)
Summario — 1. Materiaes para o estudo  das festas, crenças e costumes populares portuguezes — 2. Variedades .
23,5 x 16 cm. Páginas 145 a 208. Lombada com faltas de papel. Sólido. Capas com manchas leves. Miolo intacto.

Total de 208 páginas. Impressos em Lisboa, 1880-1881, na Typographia Universal de Thomaz Quintino Antunes, impressor da Casa Real.

Conjunto invulgar.

Preço: 65 euros.


 


A CIDADE E OS HOMENS
e outros poemas


EDUARDO VALENTE DA FONSECA


Das primeiras obras publicadas por Eduardo Valente da Fonseca [Aveiro, 1928-2003]. Autografado pelo autor com dedicatória ao autor da capa, Rui Filipe. Muito bom estado de conservação. 126 páginas. 18 x 13 cm. Porto: edição do autor, 1956 (composto e impresso na Tipografia do Carvalhido, distribuído pela Livraria Aviz).

Preço: 70 euros.


 


A HORA UNIVERSAL
DOS PORTUGUESES


PEDRO VEIGA


Autografado pelo autor com dedicatória a Falcão Machado, a quem dirige uma carta-manuscrita — na sua inconfundível caligrafia, em curioso papel amarelo (17,3 x 13,5 cm), assinada mas não datada, com 4 páginas (uma “em branco”) e cerca de 202 palavras, — comentando, com interesse literário evidente, alguns assuntos bibliográficos e artísticos conimbricenses em comum:

«Penso que não faria mal eu tratar pictoralmente Coimbra nos ex-libris e nos selos postais. E também na literatura musical. Nos fadunchos!»

Com ex-libris de Pedro Veiga. Sobrecapa editorial em papel marmoreado. Tiragem numerada e assinada (este o n.º XXXI, de um total não indicado). Ligeiros picos de oxidação. Bom estado geral. 16 páginas, por abrir. 22,7 x 17,5 cm. Porto: Edições «Prometeu», [s.d.].

Conjunto invulgar.

Preço: 115 euros.


 


LISBOA EM QUATRO HORAS
E LISBOA EM QUATRO DIAS


Nova Edição. Um guia turístico para a Lisboa de final de Oitocentos. Sem menção do autor (há referências de uma edição com o mesmo título, no Rio de Janeiro, uns 8 anos antes, igualmente sem autoria indicada). 82 páginas. 19 x 14 cm. Encadernação recente em sintético, impecável. Sem a capa de brochura anterior. Não aparado. Algumas páginas por abrir. Lisboa: Typ. da Companhia Nacional Editora, 1895.

Preço: 45 euros.


 


ELEMENTOS PARA A HISTÓRIA
DO MUNICÍPIO DE LISBOA


EDUARDO FREIRE DE OLIVEIRA


Título e autor, tal qual figuram no rosto: Elementos para a História do Município de Lisboa, por Eduardo Freire de Oliveira, arquivista da Camara Municipal da mesma cidade. 1.ª PARTE. Publicação mandada fazer a expensas da Camara Municipal de Lisboa, para commemorar o centenario do Marquez de Pombal em 8 de Maio de 1882.

Mais de 10 mil páginas de documentos oficiais de algum modo relevantes, organizados cronologicamente e alusivos a séculos de assuntos invariavelmente díspares — as iguarias de um banquete celebratório, a colocação na prisão do Limoeiro do líder de uma «companhia de comediantes de Castella», a lista das pessoas de cada freguesia que se recusam a participar numa campanha de limpeza pública, a morte do rei —, num panorama que permite acompanhar os reflexos da política e da história do país nas várias decisões e questões do município d’esta cidade onde desde muito cedo esteve instalado um Governo demasiado centralista.

Temos assim «a carta regia que trouxe a communicação official da morte de Filippe II» (tomo II, quase todo dedicado ao “tempo dos Filipes”, pág. 590), «a ruína de Lisboa», no sábado 1 de Novembro de 1755 (tomo XVI, a partir da página 133, com lista e descrição sumária de abalos sísmicos anteriores, nomeadamente os de 1309, 1321, 1344, 1356, 1512, 1531, 1551, 1575, 1597, 1598, 1699 e 1724), a inauguração da estátua equestre de D. José (em parte citada aqui) ou a «consulta da Cammara a el-rei em 2 de julho de 1650», onde se propõem os nomes de «doze fidalgos, doze cidadãos e doze homens do povo» para «terem as chaves das quatro portas da cidade» (tomo V, p. 208, antecedendo em algumas páginas a lista exaustiva dos preços de venda de todo o tipo de animais para alimentação, indexados inteiros, em partes, e por género).

O primeiro documento transcrito no tomo I, que não o foral de 1179, data de 7 de Novembro de 1190, e o último documento transcrito no tomo XVII data de 23 de Agosto de 1777. Entre ambos, os diversos prefácios e as anotações constantes de Freire de Oliveira (1841-1916) desvelam e aprofundam as origens e importância dos textos que transcreve. Contém ainda algumas ilustrações, muito poucas, destacando-se a litografia da Divisa da Cidade, que abre o tomo X, ou a «planta litographada da sala das sessões do senado da camara de Lisboa, que acompanha a carta regia de 13 de Novembro de 1773» (tomo I, pág. 68).

[Para uma descrição mais detalhada da cronologia de cada tomo, consulte-se o artigo de António Miranda na Rossio n.º 1, de 2013. Como o plano cronológico da 1.ª parte da obra deveria ter prosseguido até ao ano do início da publicação (1882), suspeita-se que, além da nunca publicada 2.ª parte, também desta 1.ª parte terá ficado por publicar pelo menos um tomo, para o período 1777-1882.]

Obra completa (tudo quanto se publicou), em XVII tomos de 24,5 x 16,5 cm (66cm de estante), Lisboa: Typographia Universal, 1882-1911.

Tomo I, 1885, (12)+661+(5) págs. Tomo II, 1887, xiv+593+(2) págs. Tomo III, 1888, vi+584+(3) págs. Tomo IV, 1889, xii+628+(3) págs. Tomo V, 1891, vi+620+(3) págs. Tomo VI, 1893, ix+627+(2) págs. Tomo VII, 1894, cxii+466+(3) págs. Tomo VIII, 1896, vi+593+(3) págs. Tomo IX, 1898, vi+617+(4) págs. Tomo X, 1899, viii+595+(2) págs. Tomo XI, 1901, vi+632+(3) págs. Tomo XII, 1903, (10)+652+(3) págs. Tomo XIII, 1904, (6)+622+(3) págs. Tomo XIV, 1906, (6)+634+(3) págs. Tomo XV, 1906, (6)+630+(3) págs. Tomo XVI, 1910, xiv+567+(4) págs. Tomo XVII, 1911, (6)+622+(3) págs.

Acrescentam-se os dois volumes de índices, publicados cerca de 40 anos mais tarde: Índice dos «Elementos para a História do Município de Lisboa», por Esteves Rodrigues da Silva, sob a direcção de Jaime Lopes Dias, 2 vols., Lisboa: Câmara Municipal, 1942-1943. Com 396+578 páginas, e 22,5 x 17 cm. Capa do volume II com um rasgão restaurado. Páginas por abrir.

Todos os 19 volumes em brochura e 17 deles com as páginas por abrir. Bom estado geral, com não mais do que pequenos defeitos dispersos (muito ocasionais picos de humidade; algumas lombadas mais amarelecidas que outras; bicho de papel que atacou superficialmente a capa do tomo VI; e situações afins, de pouca monta).

Conjunto invulgar.

Preço: 440 euros.



 


VENEZA DE VISTA E OUVIDO


LÉLIA COELHO FROTA


Exemplar n.º 84 de uma tiragem única de 100, numerados e assinados pela autora, fora de mercado, para oferta a amigos. Edição bilingue, com tradução italiana de Luciana Stegagno Picchio. Prefácio de Alexandre Eulálio. Vinhetas de Maria Leontina. Projecto gráfico de Cecília Jucá de Holanda. 46 páginas. Papel superior. 16 x 12 cm. Capa com sinais de manuseio, miolo limpo. Rio de Janeiro, 1986.

Acabado de imprimir a 11 de Julho de 1986, data do 48.º aniversário de Lélia Coelho Frota. Autografado (e emendado) pela autora com dedicatória à poetisa e tradutora Maria da Saudade Cortesão, esposa do poeta Murillo Mendes.

Lélia Coelho Frota, historiadora de arte e especialista em cultura popular brasileira, foi curadora da representação brasileira nas Bienais de Veneza de 1978 e 1988, a primeira das quais corresponde à data em que este conjunto de poemas foi escrito.

Preço: 40 euros.


 

ver também:
  • Antologia de poemas por António Miranda, aqui.
  • O exemplar n.º 21 de Veneza de Vista e Ouvido foi oferecido ao escritor brasileiro Lázaro Barreto (aqui).