CALÍGULA EM ANGOLA


CUNHA LEAL


Não podem contar-se todos os pormenores de uma vida – até pela impossibilidade material de o fazer -, mas não pode ignorar-se por exemplo que, tão importante como as ideias expressas no comício anti-germânico produzido por Cunha Leal em frente do palácio do Governador Norton de Matos, em Luanda, em 1915, foi o conjunto de reacções em cadeia que acabou por incompatibilizar, de forma “patológica” (=conflitual) os dois homens, ao longo do resto das suas vidas. Ocorrido numa conjuntura adversa de pré-guerra, esse episódio juntou a burguesia de serviços luandense, num mesmo impulso, contra a alegada passividade do Governador e ajudou a criar uma animosidade contra a obra colonizadora de Norton que se prolongou pelo pós-guerra, durante o seu alto-comissariado. No entanto, se essa oposição teve alguma expressão entre os colonos, através da sua imprensa, em nenhum caso ela adquiriu a força demolidora que se encerra no Calígula em Angola, da autoria do biografado. Porventura de forma apaixonada e excessiva,- como aconteceu em tantos momentos da sua vida – Cunha Leal foi aqui o que melhor encarnou e interpretou, quiçá de forma contraditória, o sentido da História: não era a obra nortoniana mais um dos sonhos de verão daquela burguesia republicana empenhada, inconsciente e quixotescamente, na construção de um Império impossível? [Luís Manuel do Carmo Farinha, aqui]

3.º milhar. Capa com desenho de Almada Negreiros. Brochado. Ilustrado. XX, 207 páginas, as últimas 20 de formato ligeiramente maior e com a reprodução de documentos. 22,3 x 14,2 cm. Capa com marcas superficiais de bicho de papel, junto à margem inferior, que não tocam o desenho. Lombada manchada e com pequena falta de papel à cabeça. Impresso nas oficinas gráficas da Sociedade de Papelaria (Porto). Edição do autor, Lisboa, [Abril] de 1924.

Preço: 20 euros.


 


SIMBOLISMO, MODERNISMO E VANGUARDAS


FERNANDO GUIMARÃES


Primeira edição. Arranjo gráfico de Armando Alves. Ensaios sobre Mário Saa, Camilo Pessanha, a geração de Orpheu, Fernando Pessoa, Almada Negreiros, a Presença, Vitorino Nemésio, a revista Árvore, e vários outros. Indica também as «Principais revistas e publicações literárias desde o surto do Simbolismo até [1980]».

Brochado. 181-(7) páginas. 24 x 15 cm. Bom estado geral. Colecção Temas Portugueses. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1982.

Preço: 17 euros.


 


AO FIM DA MEMÓRIA


FERNANDA DE CASTRO


Capas com óleos de Sarah Afonso e Tarsila do Amaral. Arranjo gráfico de Sebastião Rodrigues. Em 2 volumes brochados, de 21,5 x 16 (x 5) cm, e 326-(2) e 322-(6) páginas. O primeiro volume, em segunda edição, abarca o período entre 1906 e 1939, e o segundo volume o período entre 1939 e 1987. Mínimas marcas de uso. Vincos ligeiros na lombada do segundo volume. Bom estado geral. Lisboa: Editorial Verbo, 1987-1988.

Preço: 35 euros.