REGRESSO AO CORAÇÃO


J. M. PINTO DE ALMEIDA


Alocução proferida, em 6 de Fevereiro de 1955, na sessão solene comemorativa do 86.º aniversário da fundação da Associação Artística Vimaranense.

Edição tipograficamente cuidada, em papel superior. 23 páginas (por abrir). 31 x 22,5 cm. Capa com pequenas manchas. Miolo limpo. Bom estado geral. Guimarães: Associação Artística Vimaranense, 1955.

Preço: 15 euros.


 


MATERIAIS PARA A HSTÓRIA DA FIGUEIRA
NOS SÉCULOS XVII E XVIII

HISTÓRIA, TOPOGRAPHIA E ETHNOGRAPHIA

ANTÓNIO DOS SANTOS ROCHA


2.ª edição, em comemoração do primeiro centenário do nascimento de António dos Santos Rocha. Prefácio de Joaquim de Carvalho. Ilustrado com a reprodução desdobrável de um mapa da Figueira da Foz nos fins do século XVII e princípios do século XVIII.

Brochado. (12),266,(2) páginas, por abrir. 25 x 17 cm. Bom estado. Figueira da Foz: Câmara Municipal, 1954.

Preço: 27 euros.


 


SANTOS ROCHA

A ARQUEOLOGIA E A SOCIEDADE DO SEU TEMPO


RAQUEL VILAÇA e SÓNIA PINTO (coord.)


Colectânea de artigos de vários autores, com ensaios sobre o trabalho de Santos Rocha no Algarve, Alentejo, Coimbra, Bombarral, e outros locais.

Álbum ilustrado. Brochado. 175,(1) páginas. 27 x 21 cm. Bom estado. Rúbrica no rosto (autoral?). Figueira da Foz: Casino Figueira, 2012.

Preço: 15 euros.


 


OS PRIMEIROS SENHORES DE ÁGUEDA

DA EMÍNIO AO CASAL DE LAUSATO

DENIZ DE RAMOS


Exemplar com dedicatória do autor na página de ante-rosto.

Brochado. Ilustrado. 60,(4) páginas. 21 x 14 cm. Bom estado geral. Colecção Textos Históricos, I. Águeda: Edições Municipais Lugar da Memória / Câmara Municipal de Águeda, 1985.

Preço: 18 euros.


 


SENHORA NOSSA, SENHORA MINHA

VILA DE REI E SUAS REDONDEZAS
NA HISTÓRIA E NA DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA


JOSÉ MARIA FÉLIX


Brochado. Ilustrado com 43 imagens, no texto, e 4 hors-texte couché. 426,[4],6 páginas. 19 x 12,5 cm. Capa manuseada, com manchas e pequenos vincos. Miolo limpo. Volume sólido. Vila Nova de Famalicão: Grandes Oficinas Gráficas “Minerva”, de Gaspar Pinto de Sousa, Suc., Lda., 1948

Preço: 17 euros.


 


CORRESPONDÊNCIA
DE CARVOEIRO


FERNANDO FALCÃO MACHADO


Um texto carvoeirense de Manuel Falcão Félix Machado, comentado pelo filho, Fernando Falcão Machado, cerca de quarenta anos depois. Separata do jornal A Voz do Minho, Barcelos, Dezembro-Janeiro 1968. Com 8 páginas, e 21 x 15 cm. Capa com manchas leves. Miolo limpo. No geral, um bom exemplar. Composto e impresso na Companhia Editora do Minho, de Barcelos.

Preço: 10 euros.



O CONCELHO DE PENAMACÔR

na História, na Tradição e na Lenda


JOSÉ MANUEL LANDEIRO


Com capítulos sobre o concelho e a vila, antigas paróquias e igrejas, procissões, roda e cemitérios, a guarnição militar, médicos e farmacêuticos, magistrados e empregados públicos, famílias nobres e homens ilustres, filhos adoptivos, a imprensa, associações, povoações e fortalezas antigas, freguesias e ermidas, terminando com algumas das mais emblemáticas lendas religiosas da região: as pragas de gafanhotos, a patinha da burrinha de Nossa Senhora, o milagre do cativo cristão, etc.

Prefácio de Jaime Lopes Dias. Desenhos de Júlio Fidalgo de Oliveira. xvi, 257 páginas.  24,5 x 17 cm. Ilustrado (fotografia, desenho), no texto e extra-texto. Primeira edição (republicado em 1982, 1988 e 1995). Capa com manchas. Miolo limpo. Um exemplar interessante. Vila Nova de Famalicão: Grandes Ateliers Gráficos Minerva, 1938.

Preço: 35 euros.


 


A TRILOGIA MONUMENTAL DE
ALCOBAÇA, BATALHA, THOMAR E
O CAMINHO DE FERRO


VIEIRA GUIMARÃES


Conferência realizada na Sociedade de Propaganda de Portugal, no dia 17 de Junho de 1912. Opúsculo ilustrado com 11 fotografias e um mapa. 31,(1) páginas. 22,7 x 16 cm. Bom estado geral, pese embora assinatura de posse no rosto, a lápis azul, e um mínimo defeito na capa, na margem interior, visível na fotografia. Lisboa: Imprensa Libânio da Silva, 1912.

Preço: 15 euros.


 


TABELLAS DOS PRODUCTOS DAS TANGENTES PELAS DISTÂNCIAS PARA USO DOS QUE SE SERVEM DO ECLIMETRO NA ELABORAÇÃO DOS ANTE-PROJECTOS DE ESTRADAS E CAMINHOS DE FERRO E DE QUALQUER PLANTA COTADA


Encadernação de amador (capa protectora). Bom estado geral, capa com pequenas imperfeições. Dedicatória manuscrita; autor anónimo. Conteúdo maioritariamente composto por tabelas, salvo a página introdutória. 72 páginas. 17,5 x 12,4 cm. Lisboa: Imprensa Nacional, 1877.

Preço: 12 euros.


 


ALBUM DE ESTATISTICA GRAPHICA DOS
CAMINHOS DE FERRO DO ULTRAMAR
1903


Com mapas in-folio do caminho de ferro de Mormugão, dos caminhos de ferro do sul da Índia, do caminho de ferro de Lourenço Marques, e do caminho de ferro de Luanda a Ambaca, cada um deles complementado com diversos mapas estatísticos e gráficos (mercadorias, movimentos, receitas, etc.). Termina com um mapa desdobrável dos caminhos de ferro do sul de África (63,7 x 57,3 cm).

Álbum (37,5 x 26,5 cm) em cartonagem editorial com lombada em tela verde. Com (2),xi,(57),[1] páginas. Capa manchada. Miolo no geral limpo, com ocasionais picos de acidez marginais. Papel superior. Pequeno carimbo azul de oferta do Ministério da Marinha no rosto. No geral, um exemplar interessante.

Edição da 3.ª Repartição da Direcção Geral do Ultramar, do Ministério do Mar e da Marinha, Lisboa, na Typographia da «A Editora», 1905.

Preço: 70 euros.


 


O COMBOIO DO TEMPO


CARLOS FRIAS DE CARVALHO


Homenagem ao Ferroviário nos 125 do Caminho de Ferro em Portugal.

Assinado pelo autor com dedicatória. Introdução de António Luís Moita. Capa e ilustrações de Feliciano Carvalho. 73+(7) páginas. 21 x 14,2 cm. Bom estado. Lisboa: [s.e.], 1982.

Preço: 17 euros.


 

Há quase 100 anos, a Bertrand mudava de dono e de prateleiras. Foi (salvo erro) na Ilustração Portugueza n.º 312, de 12 de Fevereiro de 1912, que o facto mereceu destaque, com fotografias de Benoliel e as seguintes legendas:

A nova instalação da Livraria Bertrand – A mais antiga livraria de Lisboa, a Bertrand, onde o marquez de Pombal instalára o velho livreiro francez, acaba de passar por uma grande transformação, sendo hoje propriedade da firma Aillaud, Bastos & Alves, os conhecidos editores de Paris, Lisboa e Rio de Janeiro.

A nova e artística instalação da antiga livraria Bertrand, em que actualmente estão associadas as poderosas casas editoras do Rio de Janeiro e de Paris, Aillaud e Francisco Alves, que projectam promover em grande escala a infusão das duas grandes literaturas portugueza e brazileira nos mercados de livros de Portugal e do Brazil.

Assim de repente, lembram-me as estantes centrais da grande Barateira (à Trindade), a escola de muitos dos actuais alfarrabistas de Lisboa.

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[10Jun09]

Circulado:

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Não-Circulado:

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(com um abraço ao Carlos Barroco)

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De uma occasião, cavaqueando o Innocencio e o Meréllo, na loja do livreiro Rodrigues, da rua do Crucifixo, farejaram um livro de valia; cuidando, qualquer dos dois, que, o outro, não houvesse dado por elle.

Principiaram então, como que ao desafio, em espertezas, procurando mutuamente afastar o competidor do logar da maravilha.

Já um chamava o outro para a porta, e lhe narrava não sei que historia em grandes ares de confidencia; — já o outro consultava o relogio e lhe dizia a hora, adiantando-a, ao passo que lhe perguntava qual fosse a sua hora de jantar… Nem o Meréllo nem o Innocencio arredavam um passo da baiuca do livreiro, recinto encantado da ambicionada joia.

N’isto, não se atrevendo um nem o outro a desampararem a caça, nem, tão pouco, a separarem-se, sairam juntos.

Innocencio, morava n’esse tempo, ao Rato, na rua de S. Filippe Nery; o Meréllo, como que deleitando-se com a sua conversação, foi indo até lá.

Uma vez chegados, disse-lhe o auctor do Diccionario Bibliographico:

— Você onde vae?

O Meréllo, titubiando, denunciou, porventura, na sua hesitação, o designio que guardava em seu animo? Chi lo sá?!

Respondeu conforme poude:

— Eu agora… estou capaz de ir… tenho por força de ir agora…

— Para cima?

— Não; ali, para aquele lado…

Innocencio fixava-o no branco dos olhos.

— A Santa Isabel!!! acrescentou Meréllo, que, com o ganhar tempo, cobrára animo, e revigorára o seu espirito. Vou a Santa Isabel, e, adeus, que não me posso demorar!!!

— Então, adeus! disse-lhe o Innocencio. E obrigado pela companhia.

Meréllo, em passinho de pulgam cortou para a direita, pelo largo do Rato fóra, e sumiu-se detraz da esquina.

Dois olhos, porém, o acompanhavam, vigiando-o, sem fallarmos nos da providencia, que, talvez, n’aquella hora, o não seguissem com tanto disvélo…

Eram os olhos do Innocencio, que, logo depois de fechar a porta da rua, de novo a abrira, de mansinho, encostando-a habilmente, de maneira que podesse vêr sem ser visto.

Espreitando o Meréllo no rapido ápice de dobrar a esquina, ahi foi logo, de corrida, de voada, o Innocencio, encostar-se, meio escondido, na diligencia de observar, se, effectivamente, o Meréllo seguia pela rua do Sól, a fim de cortar depois á esquerda para Santa Isabel.

Mas, — oh! confirmação de suspeita! — o Meréllo virou pela rua de S. Bento, e, d’este modo, revelou a engenhosa estrategia com que estivera a ponto de levar de vencida o seu competidor.

Innocencio Francisco da Silva não pensou uma, não pensou duas, nem tres vezes, e, voltando a metter-se na rua da Escóla Polytechnica, desceu pressuroso, aos encontrões a quem ia e vinha; elle, para o passeio; elle, para o meio da rua; zás, pás; de salto, pulo, e gangão; respirando apenas; apertando o figado, abalado pela furia da correria; até quem catrapuz, cahia de chofre na loja do livreiro, onde, em caso immediato, se embrulhava com um vulto, que, tambem de repellão e de tombo subito, penetrava ali…

Era o Meréllo!

O Meréllo, que, suspeitoso e inquieto pelas perguntas do Innocencio, correra ao livreiro, e alcançára, pela rua de S. Bento, Calhariz e Chiado, chegar ao Pote das Almas ao mesmo tempo que o seu rival illustre, por S. Pedro de Alcantara e S. Roque: em passo vertiginoso, de  bibliophilos, ambos elles; — o incomparavel passo, que fez sempre a inveja do Bargossi! o andarilho Bargossi!

Com razão se diz serem mudas as dôres supremas. No meio do reboliço que houve n’aquella loja, quando os dois alfarrabistas se atropellaram ao entrar ali, qual d’elles com maior ancia, foi o Meréllo o primeiro a conseguir deitar a mão ao livro. O Innocencio, que tinha uma tremenda lingua de palmo e meio, terror do proximo, metteu-a no bucho, e, engulindo em secco, viu o outro arrecadar o livro no bolso do peito, abotoar-se á mesm’alma, pagar o livro ao Rodrigues, e sair, ficando quêdo e mudo, como se, aquelle caso formidando, estivesse a ponto de entupir-lhe por uma vez a falla.

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[reprodução integral da primeira das Mil e Uma Histórias, de Julio Cesar Machado, Lisboa: Empreza Litteraria, 1888, pp. 7-10 — para uma imagem maior ou mais legível do cartaz do Bargossi, o melhor é ir directamente à fonte]

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O ALFARRABISTA MANUEL DOS SANTOS, por João Paulo Freire (Mário):

Aquêle Manuel dos Santos que acompanhámos ao cemitério, merece bem duas palavras de necrologia. Êle foi o mais completo expoente do que é e do que pode ser uma vocação, porque, de ofício bem diferente, como seu irmão José, ambos se lançaram à vida de livreiros-alfarrabistas, ali em baixo ao fundo dos Paulistas, na mesma acanhada baiúca onde hoje pontifica José dos Santos.

Ali começou para os dois o comércio do livro raro e do livro usado. Do livro que já se não quere e do livro que ansiosamente se procura. Um dia o Manuel separou-se do irmão e veio para a esquina da Bica, já livreiro lançado, e uma que outra vez livreiro-editor, em assuntos camilianos. Foi o Manuel dos Santos que me editou, em 1917, A Campanha da Lápide, como cinco anos depois editava, a Alberto Pimentel, O Torturado de Seide.

Como livreiro, Manuel dos Santos foi dos mais arrojados do seu tempo. Pode afirmar-se que fêz o que se chama uma revolução no mercado do livro antigo. E sem ter fundos conhecimentos, quási sem base própria, era tal a sua vocação e a sua fôrça de vontade, que muitas vezes supria pela audácia inteligente a sua impreparação.

Deixa uma vasta obra de catalogação bibliográfica, obra importante, de admirável documentação, por cujas páginas passa o que temos de melhor na bibliografia portuguesa.

Como livreiro camilista, Manuel dos Santos, não só criou, a seis anos do centenário, o gôsto e a procura pelas raridades de Camilo, como, tornando-se o seu comentador bibliográfico, nos deixou a melhor, a mais completa e a mais interessante de tôdas as documentações que no género têmos sobre Camilo. São dois volumes e um tômo, já hoje raros, estimados e valorizados no mercado livreiro.

Na sua pequena loja, hoje muito desfalcada, havia, ainda não há muito, verdadeiras preciosidades que êle vendeu, principalmente para a Inglaterra e para o Brasil, e, pode afirmar-se que, tirando seu irmão José, tinha, como livreiro, a mais preciosa de tôdas as camilianas que eu conheço.

Activo, enérgico, trabalhador, morre na fôrça da vida, um rapaz ainda, quando precisamente os seus conhecimentos adquiridos o começavam a impôr como um valor na difícil e complicada ciência de conhecer os livros.

De bem conhecer, de bem os comprar, e de melhor os vender…

Tinha admiráveis qualidades como cidadão, e era, no meio livresco lisboeta, uma figura interessante que se impunha, pela sua lealdade, pela sua bondade, e para nós jornalistas pela amizade que a quási todos dispensava, amizade cheia de franqueza, amizade de quem percebia, por um fino espírito de subconsciência, que, jornalistas e livreiros, são duas classes afins.

Pobre Manuel dos Santos!

Ainda há meia dúzia de dias êle me dizia, brincalhão e alegre, referindo-se ao seu leilão marcado para ontem:

– Vê lá, não faltes. Olha que tens lá pechinchas!

Não faltes… Sim. Eu não faltei. Êle coitado é que não presidiu à venda dessas pechinchas.

Veio a morte [8 de Janeiro de 1922] antes de tempo e fechou-se a última folha dêste safado livro da vida que todos nós vamos agora lendo, parece que em 2.ª mão…

Que descanse em paz, o pobre Manuel dos Santos.

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«O Alfarrabista Manuel dos Santos» in João Paulo Freire (Mário), TÔRRE DO TOMBO… Crónicas Dispersas, Lisboa: Edição do Autor, 1937.

AGOSTO É UM MÊS DIFÍCIL

agosto é um mês difícil

árido

por isso escrevo: «aqui

agosto magoa os músculos.

é um tempo de fuga

nos mapas novos do mar. por vezes

esperamos uma mulher um peixe

obceca-nos um peixe é frio e liso

respira intensamente com o barco

onde foi recolhido».

agosto é uma dor aguda

no pescoço

por isso acrescento: «o Porto sufoca

sob a caliça das paredes o homem pensa

uma viagem diferente. é tempo de ócio

de ódio

no granito do chão um desespero

mudo e ácido».

agosto sabe a bronze tem a

consistência do bronze

por isso escrevo: «aqui

abrimos a crosta do silêncio: é como

morder um limão».

ANTÓNIO MANUEL LOPES DIAS

[Jaime Lúcio]

Cochofel

[15Abr08]

Caneças, 1951

[26Fev08]

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pitecos

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